Pastoreio #46

Filemom – Colocando-se no lugar do Outro

O apóstolo Paulo escreve a um homem piedoso chamado Filemom, basicamente para pedir-lhe que recebesse com carinho o escravo fugitivo chamado Onésimo, pois havia se tornado cristão e era útil para o reino de Deus. Nesta carta, Paulo arrisca a sua relação pessoal, não aos seus olhos, com Filemom a favor de Onésimo.

Muitos escravos eram chamados de Onésimo pelo fato desse nome significar “útil”, de certo modo, o apóstolo faz um jogo de palavras (v.11) , pois mesmo sendo chamado de útil o apóstolo diz que Onésimo era inútil antes de converter-se a Cristo, mas agora convertido passou a ser de fato útil.

Onésimo cometera um ato injusto contra seu senhor, Filemom, que era um cristão que morava em Colossos, o escravo teve um encontro com Paulo nas prisões e agora o apóstolo não só o acolhe, chamando-o de meu filho (v.10), como também intercede por ele.

Segundo Ralph P. Martin, “A lei romana exigia que quem desse hospitalidade a um escravo fugitivo fosse devedor ao senhor do escravo do montante de cada dia de trabalho perdido, pode ser que a promessa de Paulo de ser fiador (v.19) nada mais é do que a garantia dada a Filemom que ele pagará o montante incorrido pela ausência de Onésimo do seu serviço.”
Fonte : Colossenses e Filemom, introdução e comentário, Ralph P. Martin, Série Cultura Bíblica, Ed. Vida Nova, p.154.

O tratamento dado aos escravos está registrado em um papiro fragmentado datado de 298 D.C.

“Aurélio Sarapammon, chamado Dídimo….a Aurélio…Nomeio-te, mediante esta minha instrução, meu representante para viajar para a ilustríssima Alexandria e procurar meu escarvo chamado…com idade cerca de 35 anos, a quem também conheces…, e quando o achares, deves entregá-lo, tendo os mesmos poderes que eu mesmo teria, se estivesse presente, de…colocá-lo na prisão, castigá-lo, e fazer uma acusação diante das autoridades competentes contra aqueles que lhe deram asilo, e exigir compensação.”
Fonte : Colossenses e Filemom, introdução e comentário, Ralph P. Martin, Série Cultura Bíblica, Ed. Vida Nova, p.154.

Mediante os relatos bíblicos e históricos, o pedido de Paulo a Filemom acerca de Onésimo foi revolucionário no tocante ao tratamento dado aos escravos fugitivos, pois o senhor do escravo por direito poderia castigá-lo, bem como, cobrar compensação daqueles que lhe deram guarida, entretanto Paulo espera que Filemom tenha um comportamento diferente dos senhores de escravos.

Segundo Champlin, “A vida de um escravo estava absolutamente em poder de seu senhor. Podia ser vendido, trocado, punido ou mesmo morto, sem qualquer intervenção das autoridades. Juvenal (vi. 28) registra as palavras infames de uma mulher da alta sociedade que crucificara a um seu escravo, pela única razão que isso lhe dera prazer.”
Fonte: Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia, vol. 2 D-G, R.N Champlin, J.M. Bentes, Ed. Candeia, p. 732.

Objetivo da carta: Alguns sugerem que Onésimo havia roubado algo de Filemom e fugido, porque teve medo da punição que merecia. Paulo misericordiosamente se ofereceu para compensar esta e quaisquer outras dívidas que Onésimo tivesse com Filemom (Fm. 18). Acredita-se, em geral, que Onésimo foi recebido por Filemom e teve a sua dívida perdoada, exatamente como Paulo esperava (Fm. 21).
Fonte: Bíblia de Estudo Palavras Chave – Hebraico –Grego, Ed. CPAD, p. 1275.

Prática pastoral >>> Na carta o apóstolo Paulo a Filemom pode-se extrair o exemplo de um verdadeiro cristão, que não somente pregava o evangelho, mas que intervia em favor de outros a partir da premissa do amor, no caso, o amor a Cristo constrangeu Paulo e deveria constranger a Filemom, ou seja, por amor a Cristo ele deveria perdoar e até dar a carta de alforria para seu escravo.

Penso que como apascentadores é importante praticarmos o bem, a boa ação, o amor de Deus que tanto pregamos. Nossas convicções não podem estar limitadas somente na esfera da teoria, a experiência pratica também é parte importante do fortalecimento da nossa fé e de outros.

Assim como o apóstolo, vamos ser mais pacificadores, pagando sempre o mal com o bem, praticando as boas obras, para que nossa conduta seja reflexo de Cristo e que as pessoas sejam alcançadas para Ele.

Quem ama a Deus, demonstra esse amor amando outras pessoas, ajudando os santos e se importando com eles (Hb. 6.10).

A humildade do Apóstolo Paulo – Filemom 1

A exemplo de Jesus que não usurpou ser igual a Deus, mesmo sendo (Fp. 2.5-6), o apóstolo adota uma postura humilde, não usando da sua autoridade apostólica, ainda que fosse um apóstolo constituído pelo Senhor, antes pediu com amor e respeito contando com a obediência de Filemom ao invés de ordenar.

Filemom 1.1-3
01 Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus, e o irmão Timóteo, a você, Filemom, nosso amado cooperador,
02 à irmã Áfia, a Arquipo, nosso companheiro de lutas, e à igreja que se reúne com você em sua casa.
03 A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.
(Bíblia utilizada Nova Versão Internacional – NVI)

Já em sua apresentação o apóstolo Paulo não faz considerações pomposas sobre si mesmo, antes, apresenta-se como “prisioneiro de Jesus Cristo”, embora estivesse na prisão em Roma, Paulo diz ser um prisioneiro de Cristo (por causa Dele) e não de Nero.

Menciona Timóteo, honrando aquele que com ele trabalhava em prol do evangelho, refere-se a Filemom como amado, o cristianismo deve gerar intimidade, carinho e respeito pelas pessoas independente da posição social, ainda que, Filemom tinha certa posição e fortuna.

A casa de Filemom é lembrada pelo apóstolo, a amada Afia, provavelmente esposa de Filemom e Arquipo provavelmente filho, que faziam parte da igreja que se reunia em sua casa.

Paulo deixa claro que as bênçãos provem de Deus e de Jesus Cristo, acessível a igreja pela fé no sacrifício da cruz.

Filemom 1.4-10
04 Sempre dou graças a meu Deus, lembrando-me de você nas minhas orações, 05 porque ouço falar da sua fé no Senhor Jesus e do seu amor por todos os santos. 06 Oro para que a comunhão que procede da sua fé seja eficaz no pleno conhecimento de todo o bem que temos em Cristo. 07 Seu amor me tem dado grande alegria e consolação, porque você, irmão, tem reanimado o coração dos santos. 08 Por isso, mesmo tendo em Cristo plena liberdade para mandar que você cumpra o seu dever, 09 prefiro fazer um apelo com base no amor. Eu, Paulo, já velho, e agora 10 também prisioneiro de Cristo Jesus, 10 apelo em favor de meu filho Onésimo, que gerei enquanto estava preso.
(Bíblia utilizada Nova Versão Internacional – NVI)

No versículo 8, o apóstolo, mesmo sabendo que era chamado por Jesus Cristo, não usa a sua autoridade apostólica (Gl. 2.8) para ordenar a Filemom a libertação do escravo Onésimo.

Galatas 2.8
08 Porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios
(Bíblia utilizada Nova Versão Internacional – NVI)

No versículo 9, Paulo fala de modo amoroso com Filemom, “…peço-te antes por amor…”, nos dando um exemplo vivo de como se comporta um verdadeiro apóstolo de Cristo. Com aproximadamente 63 anos de idade o apóstolo diz estar velho e não se envergonha de ser prisioneiro de Jesus Cristo.

No versículo 10, a carta apresenta uma estratégia, um cuidado para abordar o assunto, que era Onésimo, Paulo sentia-se responsável pelo seu filho gerado em suas prisões, o escravo merecia ser punido pelo seu senhor, mas o apóstolo coloca-se no lugar dele.

Paulo tem Filemom em autoestima e louva a Deus pelo seu bom testemunho cristão, o amor e a fé de Filemom são destacados pelo apóstolo que, acredita no amor sincero dele por Jesus e tem informações do amor e hospitalidade dele para com os santos.

As informações que chegavam até o apóstolo era que Filemom inspirava a outros cristãos, era possível ver Cristo no comportamento dele e isso alegrava a Paulo.

Prática pastoral >>> A nossa atitude, disposição interna, maneira como falamos e agimos, poderá interferir diretamente na forma de reagir das pessoas, mesmo Paulo sendo quem era, a sua escrita é de mansidão e de serviçal, reconhecendo as qualidades das outras pessoas.

Parece que as vezes temos a necessidade de deixar claro quem manda, quem é o “chefe”, ainda que no reino de Deus segundo o próprio Jesus não devemos pensar ou agir assim (Mc. 10.42-43), antes sermos servos. Para alguns aparentemente o título eclesiástico ou a posição passou a ser mais importante do que o privilégio de servir no reino de Deus.

Segundo Lawrence, o bilhete do apóstolo a Filemom “reflete o compromisso de Paulo com uma liderança voltada ao serviço. Em vez de ordenar, Paulo procura persuadir. O líder cristão não pode satisfazer-se com uma obediência de má vontade.” Fonte: Comentário Histórico – cultural do Novo Testamento, Lawrence O. Richards, Ed. CPAD, p. 485.

Colocando-se no lugar do Outro – Filemom 1

É impressionante como Paulo assume riscos pelo escravo, como se sente responsável por Onésimo, ainda que reconhece Filemom como o senhor do escravo. Não só intercede, mas também se dispõe a assumir os custos e prejuízos gerados por Onésimo, poderíamos fazer um paralelo do relacionamento de Cristo com o ser humano. O Senhor Jesus segundo a escrita de Paulo em Colossenses 2.13-14, afirma que Ele comprou/cancelou a nossa dívida.

Nos versículos 11 ao 22 podemos perceber como o apóstolo Paulo fala bem do escravo mal falado, aceita como membro da família de Cristo aquele que a sociedade rejeitava, praticamente pede que Filemom o liberte, pois agora perderia um escravo, mas ganharia um irmão em Cristo. Podemos traçar um paralelo, assim como Paulo fala bem do escravo e dá a ele a dignidade perdida, Cristo também nos torna digno através do seu sacrifício na cruz.

Em cada versículo abaixo, comento como o apóstolo valoriza o escravo, tendo um comportamento de alteridade, ou seja, sentindo-se responsável por Onésimo sem tirar dele a dignidade, apresentando-o como uma pessoa útil e importante no reino de Deus.

v.11 Mesmo sendo chamado de “útil” como muitos escravos, Paulo deixa claro que não pode ser útil uma pessoa que não esteja em Cristo Jesus. A visão de útil para o mundo limitava-se ao trabalho do humano para o humano, mas agora em Cristo Onésimo trabalhava a partir do humano para o Divino, para Deus, para o seu reino.

v.12 O retorno do escravo fujão se dava pelo fato de ter se convertido a Cristo, parece que Jesus gerou no escravo o desejo de outra liberdade, não a de ser livre pelo seu senhor Filemom, mas a liberdade encontrada no Senhor através de Jesus Cristo. Voltar para o seu senhor Filemom demonstrava que Onésimo tinha metas mais nobres do que a de fugir como escravo, agora ele voluntariamente havia aceitado ser “escravo” de Jesus. Paulo se coloca no lugar do escravo e pede que Filemom o acolha como se estivesse acolhendo o próprio apóstolo.

v.13 Paulo expressa que o convertido Onésimo tinha conquistado seu respeito e carinho, era contado como um servo de Cristo dentre outros que trabalhavam em prol da igreja de Deus. O apóstolo reconhece que ele era escravo de Filemom e que estava servindo a ele, Paulo, pois em humildade e amor tributa honra a Filemom pelos serviços prestados pelo seu escravo ao reino de Deus.

v.14 Mesmo tendo Onésimo como sendo útil para o seu apostolado, Paulo considera Filemom como alguém que nesse assunto, o escravo, deveria ser informado e consultado para que, voluntariamente pudesse demonstrar o seu caráter cristão, perdoador e doador em prol do evangelho de Jesus.

v.15 Paulo diz que Onésimo noutro tempo foi separado de Filemom por providência Divina para que, o escravo pudesse ter um encontro com Jesus Cristo e agora como irmãos em Cristo pudessem permanecer juntos para sempre, pela fé, pelo evangelho, pelo mesmo interesse em servir a igreja de Deus e não somente pela relação senhor e escravo.

v.16 Agora não como escravo, mas como alguém da família da fé, como irmão amado de Filemom. **“Na carne Filemom tem ao Irmão como seu escravo; no Senhor Filemom tem ao escravo como seu Irmão.”
**Bíblia de Estudo do Expositor, Jimmy Swaggart.

v.17 Paulo demonstra consideração por Filemom, chama-o de companheiro e considera Onésimo como a si mesmo tendo-o como irmão em Cristo e, assim pede que Filemom o receba com amor e com a mesma consideração.

v.18 Paulo coloca-se como aquele que deu guarida a um escravo fugitivo e se dispõe a pagar pelo que fez, a compensar Filemom pelos dias em que Onésimo não trabalhou para o seu senhor.

v.19 O apóstolo compromete-se, assina a promissória, estabelece um contrato seguro ao escrever com a sua própria mão a confissão que pagaria a divida gerada pelo escravo, entretanto Paulo lembra a Filemom que a esperança de Vida Eterna que ele agora tem veio por intermédio do seu apostolado que anunciou a Jesus Cristo.

Nos versículos 20 a 22 podemos constatar que, a confiança do apóstolo em que será atendido se dá pelo fato de saber que Filemom era um cristão que de fato havia se convertido no Senhor, por produzir boas obras e por saber do comprometimento que ele tem com os demais irmãos, com a Igreja de Deus. Os relatos sobre Filemom geraram em Paulo a certeza da comunhão, da obediência e da expectativa que Filemom não somente receberia Onésimo, bem como concederia a alforria para o seu escravo seguir como servo/escravo de Jesus Cristo, útil para o reino de Deus.

 

 

 

Prática pastoral >>> Podemos perceber nesse bilhete ou carta enviado a Filemom que, o missionário Paulo que iniciou e doutrinou tantas igrejas, agora se aplica em favor de um homem, o escravo Onésimo.

Acredito que em alguns momentos nossos esforços precisarão ser canalizados em favor de uma só pessoa, entretanto essa ação não torna menos importante o trabalho pastoral, toda alma tem valor para Deus e deve ter para nós também. Como apascentadores penso ser bom nos dedicarmos em contribuir com a vida de outrem, amando, ajudando e servindo por amor ao Senhor.

Em 2018 o pastoreio na grande São Paulo será dado diretamente pelo Pastor Ronildo Queiroz para todos os pastores regionais, locais, oficiais, obreiros e líderes dos ministérios.

Ocorrerão aos sábados, nos dias 17/03, 21/04, 19/05, 16/06 , 18/08 e 15/09 na ICPBB Vila Guilherme em São Paulo, às 19 hs.

Contamos com a presença de todos!

 

2017 Vivendo a Prática Pastoral
sendo uma igreja bíblica e relevante

Serviçal da Igreja
Ronildo Queiroz

1 Comentário. Deixe novo

Parabéns pelo excelente Pastoreio que nos mostra Paulo com uma exemplar posição de correr um riscos grave e eminente por um do escravo novo convertido mais ao mesmo tempo nos mostra a importancia da intimidade com Deus o relacionamento intenso e constante com Cristo produz descanso que o Senhor sempre estará no contrle.

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