Pastoreio #49

UNIDOS COMO DISCÍPULOS

A palavra “discípulo” significa aluno ou aprendiz de alguém, tem a ver com receber ensinamentos teóricos e práticos de um mestre, no nosso caso somos aprendizes do Mestre Jesus.

Segundo Keith Phillips, autor do livro “A Formação de um Discípulo” da editora Vida, “o discipulado cristão é um relacionamento de mestre e aluno baseado no modelo de Cristo e seus discípulos, no qual o mestre reproduz tão bem no aluno a plenitude da vida que tem em Cristo, que o aluno é capaz de treinar outros para que ensinem outros.”

Somos chamados por Jesus, não para sermos meros expectadores no reino, mas participantes, para seguirmos seus passos e ensinarmos outras pessoas. Não por acaso ao longo do Novo Testamento Jesus se usa como exemplo (Mt.11.29-30), bem como é usado como exemplo pelos apóstolos para ensinarem a outros (Ef.4.19-21).

Como discípulos devemos nos espelhar no Mestre Jesus Cristo, ainda que sejamos ensinados por outros irmãos e irmãs em Cristo, o modelo para seguirmos é o de Jesus, sempre devemos ter como alvo ser imitadores Dele, o próprio apóstolo Paulo diz isso (1 Co.11.01), sede meus imitadores como eu sou de Cristo.

O fazer discípulos não se restringe a igreja primitiva, mas a nós como igreja do Senhor nos dias atuais, Keith Phillips diz que a nossa missão não é “fazer convertidos”, mas sim “fazer discípulos”.

Talvez a alta exigência requerida de um discipulador e a possibilidade de fracassar, não gerando discípulos segundo o modelo de Jesus, tenha sido um dos fatores desmotivadores de alguns líderes, provavelmente alguns tem rejeitado o processo discipular pelo alto desgaste em sua realização. Talvez por ter um alto índice de insucesso em relação as altas expectativas que criamos em relação as pessoas, que são tão pessoas como os próprios discipuladores, cheios de falhas e problemas, pode ser o que tem feito com que alguns abandonem o trabalho de discipular pessoas.

No processo discipular precisamos nos dar conta que todos somos “vasos de barro”, homens e mulheres sujeitos as mesmas paixões. O apóstolo Paulo tinha sobre si mesmo a real noção de que era homem falho e não um deus, ao curar um homem aleijado na cidade de Listra, Paulo e Barnabé são idolatrados, chamaram Paulo de Mercúrio e Barnabé de Júpiter, deuses pagãos, mas eles rejeitaram veementemente tal ato, ou seja, colocaram-se em seu devido lugar, de humanos, falhos e dependentes de Deus, (At. 14.06-16), v.15 “E dizendo: Senhores, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões, e vos anunciamos que vos convertais dessas vaidades ao Deus vivo, que fez o céu, e a terra, o mar, e tudo quanto há neles;”

Nós homens e mulheres como discipuladores, não somos melhores que os discípulos, antes, somos todos dependentes do Senhor, vasos de barro, ou como costumo dizer “farinhas do mesmo saco”.

1º Recorte – POR QUE FAZER DISCÍPULOS DE JESUS?

Mateus 28.18-20
Resoluto, Jesus os instruiu: “Deus me autorizou a comissionar vocês: vão e ensinem a todos os que encontrarem, de perto e de longe, sobre este estilo de vida, marcando-os pelo batismo no nome tríplice: Pai, Filho e Espírito Santo. Vocês devem ensiná-los a praticar tudo que tenho ordenado a vocês. Eu estarei com vocês enquanto procederem assim, dia após dia, até o fim dos tempos.”
(Bíblia utilizada: A Mensagem bíblia em linguagem contemporânea, Ed. Vida)

A orientação de Jesus deixa claro qual era a missão, fazer discípulos, ensinando a todos sobre quem Ele era, o Salvador pelo qual todos crendo poderiam ser salvos, devendo ser batizados em nome do Pai e do Filho, e do Espírito Santo, uma forma específica, um rito que marcaria os alcançados pela graça de Deus, Jesus Cristo.

Quando as pessoas tomassem conhecimento de quem era Jesus, as mesmas deveriam ser ensinadas, esclarecidas (v.20), inculcando nelas os preceitos de Cristo como um novo padrão de vida.

Na passagem bíblica abaixo podemos ver como é importante o papel daquele que se interessa, caminha junto e ensina, Felipe atua como discipulador para esclarecer o eunuco quanto a leitura que fazia em Isaías.

Atos 8.30-31
30 Então Filipe correu para a carruagem, ouviu o homem lendo o profeta Isaías e lhe perguntou: “O senhor entende o que está lendo? “ 31 Ele respondeu: “Como posso entender se alguém não me explicar? “ Assim, convidou Filipe para subir e sentar-se ao seu lado.
(Bíblia utilizada: A Mensagem bíblia em linguagem contemporânea, Ed. Vida)

O fazer discípulos, nada tem a ver com replicar nos outros nossas manias pessoais, nossa forma de falar, de se vestir ou dos nossos trejeitos (a menos que aqui nos refiramos a decência), pois a proposta de Cristo é trabalhar o nosso caráter, nos ensinando os valores, segundo a palavra de Deus que devem nortear nosso relacionamento com o Senhor, consigo próprio e com o próximo (Mt. 22.37-39).

Precisamos fazer discípulos nos baseando em Jesus, porque somente Ele é o modelo perfeito, Ele é o molde vindo do Senhor, a busca pela perfeição tem como meta Jesus, Ele é o “crivo” que revela se somos ou não filhos e filhas de Deus. Como saber se agradamos a Deus, a palavra do Senhor revela o comportamento e os ensinamentos de Jesus, e são essas coisas que precisaremos aprender, viver e ensinar aos homens.

Colossenses 1.27-28
27 A eles quis Deus dar a conhecer entre os gentios a gloriosa riqueza deste mistério, que é Cristo em vocês, a esperança da glória. 28 Nós o proclamamos, advertindo e ensinando a cada um com toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo.
(Bíblia utilizada: A Mensagem bíblia em linguagem contemporânea, Ed. Vida)

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TEMOS COMO MISSÃO FAZER DISCÍPULOS DE JESUS?

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O Novo Testamento narra como Jesus foi buscar cada um dos seus discípulos, a Pedro, André, Tiago filho de Zebedeu e João buscou-os na pescaria (Mt.4.17-22), Mateus na cobrança de impostos (Mt.9.9) dentre outros. Talvez a nossa grande falha seja querer fazer discípulos de Jesus de um modo superficial, segundo a escritura Jesus formava seus discípulos se interessando, caminhando, ensinando e ajudando eles. Pode ser que a ideia que temos de formação de discípulos de Jesus se resuma a uma sala de estudo bíblico, a um monólogo aonde um fala e os outros escutam, discipulado não se resume a isso, não é isso, mas quando lemos como o Mestre lidou com os seus discípulos perceberemos logo que Ele foi muito além, estava disposto não somente a ensiná-los, mas a se sacrificar por eles. Claro que provavelmente nenhum de nós estaria disposto a morrer literalmente por um irmão em Cristo, mas podemos e devemos “morrer” para si próprios, ou seja, negando a nossa vontade e ego desenfreado, de modo que seja possível, suportar mais, amar mais, perdoar mais, pagar o mal com o bem e assim quem sabe poderemos auxiliar outras pessoas a serem discípulos de Jesus. Quem discipula se preocupa em ensinar e fortalecer, em Atos 11.25 Então Barnabé foi a Tarso procurar Saulo, 26 e, quando o encontrou, levou-o para Antioquia. Assim, durante um ano inteiro Barnabé e Saulo se reuniram com a igreja e ensinaram a muitos. Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos. Será que não as vezes não fazemos discípulos por temer ter alguém igual ou melhor que a gente, será que as vezes nossas inseguranças não estão sendo impeditivas quanto a formação de discípulos de Cristo?

2º Recorte – QUAL A IMPORTÂNCIA DO DISCIPULADO?

Mateus 19.16-22
16 Eis que alguém se aproximou de Jesus e lhe perguntou: “Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna? “ 17 Respondeu-lhe Jesus: “Por que você me pergunta sobre o que é bom? Há somente um que é bom. Se você quer entrar na vida, obedeça aos mandamentos”. 18 “Quais? “, perguntou ele. Jesus respondeu: “ ‘Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, 19 honra teu pai e tua mãe’ e ‘amarás o teu próximo como a ti mesmo’”. 20 Disse-lhe o jovem: “A tudo isso tenho obedecido. O que me falta ainda? “ 21 Jesus respondeu: “Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me”. 22 Ouvindo isso, o jovem afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas.
(Bíblia utilizada: A Mensagem bíblia em linguagem contemporânea, Ed. Vida)

A narrativa bíblica de Mateus 19.16-22, nos traz a história de um jovem rico, que afirma conhecer e praticar os mandamentos, entretanto tinha algo a ser esmiuçado, tratado mais de perto. O Sumo Discipulador Jesus, confrontou aquele jovem, dizendo “negue-se a si mesmo”, deixe a sua riqueza, confie em mim (vem e segue-me) e não em seus bens.

Partindo desse recorte bíblico, será que alguns cristãos que até dizem temer a Deus, não podem estar na mesma condição que esse jovem rico, talvez presos por bens, pessoas, sistemas, poder, paixões e outros ruídos que o mundo, inimigo de Deus, produz com o objetivo de fazê-los perder o alvo que é Cristo.

Segundo Keith Phillips, “a obediência a ordem de Cristo “Siga-me” resulta na morte de si mesmo. O cristianismo sem essa morte é apenas uma filosofia abstrata. É um cristianismo sem Cristo.”
Fonte: A formação de um discípulo, Editora Vida, p.22.

Marcos 8.34
Então ele chamou a multidão e os discípulos e disse: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
(Bíblia utilizada: A Mensagem bíblia em linguagem contemporânea, Ed. Vida)

A cruz fala de sofrimento e a abnegação fala de prontidão, disposição para sofrer por alguém, o discipulado traz em seu bojo pré-requisitos para aqueles que querem seguir a Jesus, estar disposto a sofrer por amor ao Senhor. Quem é aluno Cristo não deve ceder as paixões desse mundo, desejos que nos afastam de Deus, precisa ser fiel até a morte, mesmo debaixo de martírio, mesmo privado de suas necessidades ou sonhos, tendo sempre Cristo no centro da vida e em primeiro lugar.

O discípulo deve passar por provações e privações permanecendo firme, sem perder a fé, viver e suportar o que o Senhor nos manda faz parte do processo discipular, João 14.15 “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos.”

Ser cristão somente de nome é no mínimo enganar a si mesmo, penso que o discipulado é importante para justamente prevenir que alguns fiquem muitos anos envolvidos com atividades da igreja, falando de Jesus, mas sem ter uma vida de fato transformada pela observância dos preceitos bíblicos. Acredito que se não separarmos parte considerável da nossa energia e tempo para discipularmos pessoas, poderemos em dado momento perceber que talvez deixamos de fazer o principal, fazer discípulos de Jesus.

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QUAIS AS MAIORES BARREIRAS OU DIFICULDADES DO DISCIPULADO?

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Talvez em nossa denominação, as maiores barreiras ou resistências tem sido o estranhamento na mudança de conduta da liderança cristã em confrontar, tratar de assuntos específicos de pessoas, talvez antes pareciam passar desapercebidos. Jesus estava ensinando a alguns judeus e parte deles após crerem no Senhor foram confrontados quanto aos pecados que cometiam, “João 8.31 Disse Jesus aos judeus que haviam crido nele: “Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos.”

Estes judeus se vangloriavam por serem descendentes de Abraão e argumentaram com Jesus dizendo que não eram escravos, mas homens livres, entretanto “João 8.34 Jesus respondeu: “Digo-lhes a verdade: Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado.”, ou seja, eles estavam sendo confrontados pelo Mestre, pois no processo discipular o que se busca não são títulos, descendências, mas uma mudança de vida de modo a imitar a Jesus.

Será que como apascentadores do rebanho de Deus não estamos nos esquivando de tarefa tão importante, não se trata de ofender, envergonhar, humilhar, mas de auxiliar pessoas a serem mais parecidas com Jesus. A argumentação para nos eximir de tal tarefa, para alguns pode ser, “eu não fui discipulado”, ou ainda, “não tinha isso no meu tempo”, mas como pais deixamos de orientar aos filhos aquilo em que não fomos orientados? Deixamos de amá-los e ajudá-los, por talvez não termos sido amados ou ajudados? Assim como queremos o melhor para os nossos filhos e filhas de sangue, queiramos também para os nossos filhos e filhas na fé.

Outro ponto que podemos considerar como barreira, resistência é o fato de que algumas pessoas não querem falar de assuntos que possuem dificuldades em lidar e superar. Em nosso processo discipular recebi relatos de alguns pastores que em seus grupos, alguns oficiais, líderes e membros acabaram saindo, alegando não estarem prontos para tais confrontamentos. Talvez estejamos nos defrontando com uma situação em que alguns querem cultos, congressos, status e talvez não estejam prontos para ouvir, refletir, admitir pecados e negar a si mesmos, a pergunta que fica no ar é quando estarão prontos se não forem confrontados.

Talvez alguns de nós estejamos na superficialidade da palavra, talvez estejamos escolhendo a “meia interpretação”, e isso pode estar sendo uma barreira e resistência ao discipulado, como alguns entendem, por exemplo, o versículo em , 2 Coríntios 3. 17 Ora, o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade., como uma orientação e motivação para os cristãos se alegrarem durante o culto, gritando glórias a Deus, ou ainda para ter um comportamento que indique sentimento de alegria, quando na verdade o texto nos fala de estarmos livres da lei, do pecado, da morte eterna pelo fato de crermos em Jesus, e pelo fato de Nele crer temos a presença Espírito Santo em nós. Fala de uma liberdade que somente é possível compreendendo a palavra de Deus (Jo. 8.32), dada pela pessoa bendita do Filho de Deus, Jesus (Jo. 8.36).

2 Corintios 3.13-18
13 Não somos como Moisés, que colocava um véu sobre a face para que os israelitas não contemplassem o resplendor que se desvanecia. 14 Na verdade as mentes deles se fecharam, pois até hoje o mesmo véu permanece quando é lida a antiga aliança. Não foi retirado, porque é somente em Cristo que ele é removido. 15 De fato, até o dia de hoje, quando Moisés é lido, um véu cobre os seus corações.
16 Mas quando alguém se converte ao Senhor, o véu é retirado. 17 Ora, o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade. 18 E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito.
(Bíblia utilizada: A Mensagem bíblia em linguagem contemporânea, Ed. Vida)

3º Recorte – COMO FAZER DISCÍPULOS DE JESUS?

João 15.1-8
01 “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. 02 Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele corta; e todo que dá fruto ele poda, para que dê mais fruto ainda. 03 Vocês já estão limpos, pela palavra que lhes tenho falado. 04 Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar fruto, se não permanecerem em mim. 05 “Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma. 06 Se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados. 07 Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido. 08 Meu Pai é glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto; e assim serão meus discípulos.
(Bíblia utilizada: A Mensagem bíblia em linguagem contemporânea, Ed. Vida)

No texto de João 15.1-8, podemos destacar três papéis, o de Deus como agricultor, o de Jesus como a videira e dos discípulos como os ramos. O texto parece contrastar e confrontar o povo de Israel, pois tendo Javé como seu Deus, não fizeram o que deles se esperavam (Isaías 5.1-7), assim também, se temos Deus como nosso Pai, precisamos estar em Cristo (1 Tm.2.5), obedecendo a Ele (Lc. 6.46), e como podemos obedecer a Cristo? Conhecendo a sua palavra, “Colossenses 3.16 Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria, e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seus corações.”

Como discipuladores, não há como gerarmos discípulos de Jesus sem que os ramos, discípulos, estejam ligados, pela palavra e fé, na videira que é Jesus, ou seja, como ensinaremos os padrões morais e comportamentais, as questões espirituais se não conhecermos a palavra.

Como discípulos se faz necessário que a pessoa queira, aceite seguir a Cristo se submetendo aos seus ensinamentos (Jo. 15.7), são os ensinamentos da palavra que farão despertar nas pessoas o ter um comportamento mais adequado, pois aprendem de Cristo a fim de se parecerem com Ele e assim glorificam o Pai.

O ato de convencer as pessoas sobre o seu estado pecaminoso, para que se arrependam, desejando buscar a Deus, não é papel nosso, mas do Espírito Santo, “João 16.08 Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo,” cabe aos discipuladores ensinar a palavra de Deus, ajudar e interceder pelas pessoas.

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QUAL É O PAPEL DO DISCÍPULO, DO DISCIPULADOR E DO ESPÍRITO SANTO NO PROCESSO DE DISCIPULAR?

Argumentação >

Será que algumas dificuldades em se fazer discípulos segundo o modelo de Jesus, não se dão pelo fato de não termos muito bem definidos os papéis, direitos e responsabilidades das partes envolvidas.

Podemos pensar que o papel do discípulo é dar frutos, vivenciando mudanças em sua vida que estejam de acordo com as orientações de Jesus (Jo.15.4), através da fé em Cristo a pessoa faz escolhas para a sua vida, escolhendo viver ou não de modo que agrade a Deus, obedecendo seus preceitos, tendo um novo estilo de vida. O ato de crer e fazer é de responsabilidade dos discípulos e nós não conseguiremos fazer isso por eles.

Como discipuladores, precisamos ter bem claro em nossas mentes que os discípulos são de Jesus, não são propriedade nossa, não são réplicas estereotipadas do discipulador, talvez algumas dificuldades no ato de discipular se devem ao fato de alguns discipuladores serem extremamente vaidosos, mantendo o outro em “cárcere intelectual”, presos a sua forma pessoal de ver, pensar e fazer. O apóstolo Paulo nos fornece uma preciosa informação para o processo discipular, “1 Coríntios 11.01 Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo.”, ou seja, os discipuladores também devem imitar a Cristo para que possam dizer aos discípulos que também o imitem, nenhum modelo serve para ser seguido se não for o de Jesus. Quem sabe estejamos querendo formar “nossos” discípulos, ao invés de formarmos discípulos de Jesus.

Somente o Filho pode libertar (Jo.8.36), a ação da graça de Deus é insubstituível, o Espírito Santo veio sobre os discípulos (At.2), para confirmar e guiá-los de acordo com a vontade de Deus, bem como habita em todos que reconhecem o Senhorio de Jesus Cristo. Talvez estejamos querendo converter as pessoas, e para isso somente a ação de Deus o pode fazer. É o Espírito Santo nos auxilia quando possuímos dificuldades, quando até mesmo, não conseguimos pensar sobre as mais diversas situações para lidarmos com elas da melhor maneira, Deus através do seu Espírito entra conosco nessas situações e nos ajuda, quando não somos teimosos, resistentes a ação Dele, a tomarmos a melhor decisão para as nossas vidas. Romanos 8.26 “Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.”

Para se pensar…

Quando Jesus veio encarnado entre os seres humanos o seu propósito era claro, resgatar os que estavam perdidos, Deus Pai quis (Jo. 3.16) reunir em torno de si a sua criação que havia se dispersado. O pecado nos afastou de Deus (Rm 3.20-24), o Cordeiro enviado (Jo.1.36) pagaria o preço pelo nosso perdão, a justiça requerida pela lei seria satisfeita em Cristo. Através da pregação anunciando um Libertador, Cristo, como único capaz de cumprir cabalmente a vontade do Pai, quando foi crucificado para alguns pareceu loucura acreditar ou seguir a um homem que havia sido execrado (1 Co. 1.21), entretanto o contexto bíblico nos mostra que através desse plano, o Cristo crucificado, através dos seus ensinamentos quis o Pai salvar a humanidade. O nosso Mestre Jesus, nos deixou exemplos claros de como devemos e porque devemos fazer discípulos, para a salvação dos homens. Podemos pensar que o fazer discípulo é o modo operacional, do fazer de Deus na vidas dos seres humanos, intervindo com o sacrifício Único, seu Filho, comunicando-se com todos sobre o que quer de nós, com a sua palavra, e nos ajudando a caminhar, pois sabe que somos errantes, por isso temos a ajuda do Espírito Santo.
Quando falamos de discipulado, falamos no mínimo de três coisas , evangelizar, ensinar e cuidar. Em uma plantação existem fases, arar a terra, lançar a semente, regar e se precaver das pragas que podem prejudicar os frutos. Assim como em uma lavoura, o discipulado exigirá de nós algumas iniciativas/ações e cuidados/manutenções para que possamos ter uma boa colheita no reino Deus.

Como poderemos alcançar o modelo de Jesus sem primeiro crer Nele, sem conhecer a palavra de Deus, sem confrontação bíblica, seria talvez como olhar no espelho e perceber as nossas imperfeições, sem ter a disposição de dar passos para uma mudança gradativa e real em nossas vidas, saindo do que éramos antes de Cristo, nos tornando agora com Cristo, filhos de Deus. O processo discipular pode nos incomodar justamente pelo fato de termos contato com o nosso “eu” percebendo nossas imperfeições, teimosias, pecados e arrogâncias que nos afastam da vontade do Pai. O fazer discípulos de Jesus, pode ser resumido em cuidar do que é precioso para o Senhor, o seu rebanho, João 6.38 “Pois desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou. 39 E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum dos que ele me deu, mas os ressuscite no último dia.”

Sejamos obedientes a ordem de Jesus (Mt.28.18-20) façamos discípulos Dele.

 

 

2018 – O Ano da Unidade
sendo uma igreja bíblica e relevante

Pastor Ronildo Queiroz
“sou mais um” caco entre outros cacos de barro! Isaías 45.9

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