Pastoreio #63

BOAS NOVAS

Em nosso primeiro pastoreio de 2020, começo agradecendo a você que ao longo desses anos tem participado, debatido, ensinado e aprendido através dos encontros do pastoreio, que Deus o recompense em tudo, receba meus sinceros agradecimentos e um forte abraço!

Seguindo a temática do ano sobre evangelização, nesse primeiro pastoreio vamos falar um pouco sobre as boas novas de Deus para o ser humano. Graciosamente o Senhor quis comunicar aos homens um fato poderoso, o nascimento do Messias, o Único que pode salvar os seres humanos da condenação do inferno e da morte eterna.

Quero ressaltar que o Criador não enviou seu Filho para destruir os homens, antes, Jesus veio para resgatar o que se havia perdido, os seres humanos, para salvá-los da condenação a perdição eterna, estávamos destituídos da glória de Deus (Romanos 3.22-24).

A partir dessa compreensão precisamos, como Igreja de Jesus, ser anunciadores dessa tão grande e maravilhosa noticia, tudo foi planejado e providenciado pelo próprio Deus, pois nenhuma pessoa seria capaz de providenciar tamanha salvação, em Jesus que é a graça encarnada, quis o Senhor salvar a todos que Nele crer (Atos 4.12).

Acredito que a igreja ou denominação não pode empreender tantos esforços em outras ações que não tenham como ponto central o anúncio das boas novas, pregar sobre a salvação em Jesus para todas as pessoas, penso que a evangelização, o ide de Jesus, não pode ser prejudicado em detrimento de outras atividades que não contribuam com a propagação do evangelho de Cristo.

O missionário e escritor Ronaldo Lidório (2, p.17), escreve que “o pacto de Lausanne, oficializado em 1974 por líderes de 150 países, sintetizou a missão da igreja, expressando que o propósito de Deus é oferecer o evangelho todo, por meio de toda a igreja, a toda criatura, em todo o mundo. Deixa, assim, bem clara a missão de Deus: todo o evangelho, todo o mundo, toda a igreja, todo o tempo.”

Penso que as instituições/denominações, geralmente chamadas de igreja, não podem ter um propósito ou uma ocupação que não seja voltada para a pregação do evangelho, nossa missão não é ganhar dinheiro ou ainda construir um império, mas pregar a Cristo para todas as pessoas.

“A expressão grega “euaggelion”, ou seja, boas novas, refere-se ao cumprimento da promessa “epaggelia”. Jesus é, portanto, tanto a “epaggelia” quanto o “euaggelion” – tanto a promessa quanto seu cumprimento.” (2, p.19,20)

A Igreja pessoas, tanto as instituições que geralmente chamamos de igreja, somente fazem sentido em existirem devido a entrega de Jesus na Cruz pelos seres humanos, é o evangelho de Cristo que valida o ser igreja e não o oposto. Uma igreja que não prega a Jesus Cristo como a boa noticia para todas as pessoas provavelmente não compreendeu a ordem do Mestre.

Podemos refletir que a Igreja não pode se limitar as pregações no templo, ou se limitar a alcançar determinado grupo social, mas a todas as pessoas, independentemente da classe econômica e social, ou seja, precisamos ser o “sal fora do saleiro”, para o mundo todo.

Atos 1
8 Vocês receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em toda parte: em Jerusalém, em toda a Judeia, em Samaria e nos lugares mais distantes da terra.”

É importante termos bem claro que não é a estética de um templo, o bom marketing de uma denominação, não é um bom grupo de louvor, um pregador eloquente, um bom líder, ou ainda, uma boa estrutura predial que salvará as pessoas da morte eterna, penso que precisamos acima de tudo isso, em primeiro lugar oferecer as pessoas o que realmente é garantia dada por Deus, Jesus Cristo (João 3.16), o evangelho (Romanos 1.16-17) e o ensino e dependência do Espírito Santo (João 14.26).

Quando permitimos em nossas mentes que ideias sobre coisas ou estratégias, como sendo em si mesmas capazes de libertar e salvar as pessoas, sem Jesus, sem o evangelho e sem a ação do Espírito Santo, certamente nos equivocamos quanto a tais pensamentos e pecamos contra Deus.

Recorte – QUAL A GARANTIA DA BOA NOTÍCIA ANUNCIADA?

Ao recebermos uma noticia, uma informação ou promessa podemos nos perguntar como acreditar nela, quem pode garantir o seu cumprimento? Talvez alguns crentes e não crentes em algum momento tenha tais pensamentos, o que penso ser normal, quando quem faz as promessas são seres humanos. Entretanto as boas noticias – Jesus como Salvador – não foram dadas ou prometidas por homens, mas pelo próprio Deus que através do anjo anunciou aos pastores no campo, não só o Criador quis enviar a seu único Filho, mas também garante que tudo ocorrerá segundo a sua vontade soberana.

Lucas 2
08 Naquela noite, havia alguns pastores nos campos próximos, vigiando rebanhos de ovelhas.
09 De repente, um anjo do Senhor apareceu entre eles, e o brilho da glória do Senhor os cercou. Ficaram aterrorizados,
10 mas o anjo lhes disse: “Não tenham medo! Trago boas notícias, que darão grande alegria a todo o povo.
11 Hoje em Belém, a cidade de Davi, nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor!
12 Vocês o reconhecerão por este sinal: encontrarão o bebê enrolado em faixas de pano, deitado numa manjedoura”.
13 De repente, juntou-se ao anjo uma grande multidão do exército celestial, louvando a Deus e dizendo:
14 “Glória a Deus nos mais altos céus, e paz na terra àqueles de que Deus se agrada!”. (NVT)

As denominações ou as pessoas em Cristo – chamadas igreja de Deus na terra não são as garantidoras de bênçãos, tampouco da salvação das pessoas, a fonte garantidora dessas bênçãos é o Senhor, que em sua bondade nos amou graciosamente. Como prova ou evidência garantidora da boa notícia o Pai enviou seu Único Filho (João 3.16), o Espírito é a garantia da nossa herança (Efésios 1.12-14).

O próprio Jesus se apresenta como a garantia real para aqueles que quiserem a vida eterna, para os crerem Nele, esses serão salvos (Marcos 16.15-16). A boa notícia é Jesus, o Salvador, o Filho de Deus é a garantia real para aqueles que buscam agradar e estar com o Senhor, pela fé no Cristo ressurreto as pessoas podem não somente ter a esperança, mas ter a certeza que tudo quanto ouviram e creram é real e se concretizará.

João 6
47 “Eu lhes digo a verdade: quem crê tem a vida eterna.
48 Sim, eu sou o pão da vida!

Penso que as nossas intenções quanto a obra de Deus precisam estar amparadas nas motivações corretas, segundo os ensinamentos de Jesus, ou seja, amar a todas as pessoas, pregar o evangelho para todo o mundo, não nos envaidecendo pelos feitos realizados, afinal de contas tudo é obra de Deus e sem o Espírito Santo não faríamos os atos extraordinários.

É importante termos claro que a garantia do cumprimento da promessa de salvação está em Cristo, pois se não tivermos claro esse entendimento podemos correr o risco de tentar inutilmente tirar a glória que pertence somente a Deus.

As vezes podemos correr o risco de abraçar métodos, não que seja errado termos estratégias e métodos, o grande problema é quando colocamos as estratégias e métodos acima de Deus, não nos esqueçamos que quem faz crescer é o Senhor (1 Cor. 3.06).


dificuldades em crer na boa notícia…

Alguns reagem de modo diferente ao ouvirem a mensagem do evangelho, desde o tempo de Paulo até o atual momento, a mensagem da cruz para alguns é loucura, pois como crer em um filho de carpinteiro, vindo de uma pequena vila chamada Nazaré, homem esse que que foi crucificado na cruz, como crer em alguém cuja a sua reação mediante as ações maldosas dos seus algozes foi sempre em amor.

Nesse tempo de “Teologia Coaching”, aonde alguns pregadores deixaram de pregar a Cristo, ou seja, dependência Dele, vida transformada em Deus, para pregarem fórmulas e métodos prometendo o sucesso, precisamos estar atentos para não cometermos os mesmos erros dos judeus e gregos na época dos apóstolos.

Talvez os ensinamentos e reações de Jesus sejam entendidos como sinal de fraqueza e não de fortaleza, quem sabe os comportamentos de Jesus não tidos por alguns, como comportamentos de um grande líder que deva ser seguido, provavelmente para os que não creem no evangelho essa seja uma das explicações para a sua falta de fé.

Façamos a seguinte reflexão, como alguns da época poderiam levar a sério alguém como Jesus, que ao invés de incitar seu povo a se rebelar contra os romanos, ensinava-os a orar, perdoar e amar os inimigos. Assim alguns não creram na pregação dos apóstolos, pois talvez não viram em Jesus nenhuma virtude ou garantia de salvação vinda de Deus.

O comentarista F.F. Bruce (3, p.1286) escreve que: “As características nacionais dos judeus e gregos somente aumentam as dificuldades em aceitar o que é pregado – Cristo crucificado. As exigências dos judeus por um sinal indicavam o seu padrão de pensamento; (Mt.12.38, Mt. 16.1- 4, Mc. 8.11ss, Jo. 6.30). O sinal de Jonas se mostrou como a maior de todas as pedras de tropeço. A especulação grega não podia aceitar a doutrina de salvação baseada na loucura do Nazareno crucificado”.

Penso que atualmente alguns cristãos criaram seus amuletos, técnicas, formas, modos e outras invenções humanas por não acharem que somente Jesus basta, a falta de fé apenas em Jesus leva muitos a terem e dependerem de seus “assessórios” ou “bengalas” de apoio a fé, bem como em alguns casos de dependência de seus líderes religiosos.

I Corintios 1
18 A mensagem da cruz é loucura para os que se encaminham para a destruição, mas para nós que estamos sendo salvos ela é o poder de Deus.
19 Como dizem as Escrituras: “Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes”.
20 Diante disso, onde ficam os sábios, os eruditos e os argumentadores desta era? Deus fez a sabedoria deste mundo parecer loucura.
21 Visto que Deus, em sua sabedoria, providenciou que o mundo não o conhecesse por meio de sabedoria humana, usou a loucura de nossa pregação para salvar os que creem.
22 Pois os judeus pedem sinais, e os gentios buscam sabedoria.
23 Assim, quando pregamos que o Cristo foi crucificado, os judeus se ofendem, e os gentios dizem que é tolice. (NVT)

Provavelmente alguns não creem por não entenderem que tenham pecados, podem achar que são pessoas boas e que não precisam confessar e contar com Cristo.

O escritor Elben M. Lenz César (1, p.136,137) revela a resposta de Lutero sobre a necessidade de pedir socorro, escrevendo que “só pede socorro o pecador convencido do pecado, da justiça e do juízo, por obra do Espírito Santo (João16.08). Por sua natureza corrupta e depravada pelo vício da culpa original, o ser humano não se preocupa com o pecado, não acredita que Deus se encoleriza tão seriamente com o pecado e que o pune severamente, mas vive com certa arrogância e desprezo de Deus.”

Partindo dessa linha de raciocínio, chamo a nossa atenção para a importância em se pregar o evangelho, orando e pedindo a Deus que o seu Espírito atue na mente das pessoas levando-as não somente a reconhecerem seu estado pecaminoso, mas também a crerem unicamente em Jesus Cristo, pois não há outro que possa salvar (Atos 4.12).

O crer em Jesus não se resume ao ato que no meio evangélico fazemos, no qual a pessoa ergue suas mãos publicamente confessando a Jesus como seu Salvador, na verdade penso que tal ato é muito mais cultural, antes, porém, os que confessam a Jesus deverão mostrar na vida diária, através de novas condutas, com uma mente renovada pela palavra de Deus, que de fato nasceram de novo, que são agora guiados pelo Senhor.

Ponto de Contato >>>

É importante entender, bem como crer nas boas novas, antes de poder anunciar

Argumentação >

Quando compreendemos e cremos a boa notícia que é Jesus Cristo como nosso único e suficiente Salvador, podemos então, perceber que a nossa fé e ações passam a ser mais bíblicas e relevantes.

Ronaldo Lidório escreve (2, p.138) que: “[…] é necessário sacramentalizarmos mais os santos e menos os templos. Missões não é um programa eclesiástico – é a forma de viver.”

A escrita de Lidório, contribui com um dos objetivos desse pastoreio, pois a missão da igreja, ou seja, a evangelização das pessoas, não tem como objetivo ter mais ou menos membros em uma denominação, ou ainda, de somente cumprir uma programa denominacional, mas de gerar mudança de vida através da pregação do evangelho contando com a atuação do Espírito Santo.
Quando não entendemos que as boas novas – Jesus Cristo – produz nas pessoas novas perspectivas de vida, nova maneira de viver, corremos o risco de embarcarmos em ativismos desenfreados lançando mão de várias estratégias com o intuito unicamente de encher um templo.

É importante considerarmos que a palavra de Deus é poderosa em sua instrução e capacidade de instigar e promover mudanças nas pessoas, não se trata de uma opinião, conselho ou ideologia humana, mas da comunicação do Eterno para a sua criação.

Considero que, como cristãos precisamos pregar a vida em Jesus para as pessoas, entretanto essa boa notícia precisa ser verdade para as nossas próprias vidas, ou seja, precisamos crer de fato e a ponto de perceber em nós as mudanças que o evangelho produz. Talvez por estarmos com a fé prejudicada em algum aspecto, por termos em algum momento pregado o evangelho com a motivação errada, ou ainda, por não termos entendido os trechos bíblicos em que Jesus disse que teríamos aflições, que seriamos odiados e perseguidos por amor a Ele, alguns cristãos estejam desanimados e outros infelizmente até apostatados da fé.

Se pregarmos o evangelho com a motivação correta, ou seja, não para a nossa própria promoção, não para o enriquecimento, ou ainda, para alimentar nosso ego, certamente que o Dono da obra que é Deus, nos favorecerá nessa caminhada, mesmo sofrendo, doendo, perdendo, seremos sempre pelo Senhor socorridos e capacitados para a boa obra.

Para se pensar…

Penso que é muito importante termos a real noção do que significa a boa notícia – que é Jesus – em nossas vidas, pois vai muito além de ter uma religião, vai muito além de uma denominação, significa ter através da fé no Filho de Deus direito a salvação, ser livre do inferno e da morte eterna.

As boas novas não foram dadas para serem mantidas em segredo, mas para serem propagadas, não são propriedade de um segmento religioso, institucional, antes, as boas novas estão encarnadas em Cristo, o Filho unigênito de Deus que foi enviado e oferecido a todo o mundo (João 3.16).

 

 

2020 – O Ano da Evangelização
de uma igreja bíblica e relevante

Pastor Ronildo Queiroz
Serviçal da Igreja de Jesus Cristo

 

 

Referências

1. Conversas com Lutero: história e pensamento. Elben M. Lenz César. Viçosa -MG: Editora Ultimato, 2006.
2. Sal & Luz: compreendendo, vivendo e praticando a missão. Ronaldo Lidório – Editora Betânia
3. Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamento. F.F. Bruce – Ed. Vida.

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