Pastoreio #65

PENTECOSTES E A MISSÃO (PARTE 2)

Como mencionado no pastoreio anterior, seguiremos falando desse tema que é tão importante, principalmente para nós pentecostais. Nesse pastoreio tenho como objetivo reforçar através da escrita e da ministração, a importância da ação do Espírito Santo na realização da missão, bem como trazer alguns fatos verídicos dessa ação na vida dos apóstolos e dos fundadores da ICPBB.

No pastoreio anterior abordamos a ação do Espírito Santo junto aos cristãos com o objetivo de levar os mesmos a realizarem a missão dada por Jesus, ou seja, a vinda do Espírito Santo em Atos 2, teve como objetivo capacitar, fortalecer, auxiliar, convencer o mundo e caminhar com a Igreja de Deus. Desde os apóstolos e cristãos ao longo dos séculos foram grandemente usados na pregação do evangelho, na oração, na realização de milagres e na ação prática em favor do próximo (amando e ajudando), contemplando tanto o aspecto espiritual e social.

Ressaltamos que desde a decida do Espírito Santo em Atos 2, a realização da missão já era o objetivo central, por isso Deus dota de modo sobrenatural os discípulos para que ali mesmo os mais variados povos fossem alcançados em suas línguas maternas, segundo o escritor Marcelo Magalhães (9, p.39), “o versículo quatro (Atos 2.04) relata que “todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem”. No grego, o verbo empregado com sentido de falar é Laléin que está no infinitivo presente expressando os “órgãos da fala”. O termo noutras ou outras é o adjetivo demonstrativo feminino plural “hetérais” expressando “outro da mesma qualidade”. Observemos que houve um fato sobrenatural da parte de Deus na vida dos apóstolos, eles começaram a falar de maneira espontânea e extranatural, idiomas e dialetos de outros povos pelo poder de Deus.”

Em Atos 2 o Espírito Santo vem até os discípulos, capacitando-os de modo visível para que pudessem ver o cumprimento da promessa feita por Jesus que rogaria ao Pai para que enviasse o Espírito Santo, essa ação sobrenatural alcançou os descrentes das nações que ali estavam, pois cada um ouviu os discípulos em suas línguas maternas.

A presença e a ação do Espírito Santo continua a ajudar a Igreja, a sua presença é real e os dons são também para os tempos atuais, de modo que a Igreja pode contar com essa tão grande ajuda, para sua própria edificação e para realizar a missão (proclamação do evangelho a todas as pessoas) dada por Jesus.

Após a descida do Espírito Santo o apóstolo Pedro é tremendamente usado por Deus, explicando aos que não estavam entendendo toda aquela ação do Espírito Santo, para isso o apóstolo relembra da escrita em Joel, (Atos 2.17-20), e logo inicia a sua fala esclarecendo a razão de tudo que estava acontecendo naquele momento, pois Jesus era a mensagem viva e poderosa que não deixaria de pregar para todos, inclusive para os que o havia rejeitado (Atos 2.22-33).

Não consigo encontrar nos textos bíblicos alguma ação do Espírito que não tenha como objetivo principal o aumento do reino de Deus e o seu fortalecimento, pensar em receber dons e capacitações vindas Dele para não serem usadas com esses objetivos é a meu ver, mera vaidade, ainda bem que temos o evangelho e o próprio Espírito Santo para nos ajudar a entender e realizar a missão.

Para ressaltar a importância da missão, o apóstolo dá a origem do sacrifício, morte e ressurreição de Jesus Cristo, o Filho enviado por Deus Pai para salvar as pessoas que cressem Nele, John Stott (10, p.83), escreve que “[…] Pedro enfocou a pessoa de Cristo, contando a sua história em seis estágios: 1) ele era homem, mas a sua divindade era conhecida pelos seus milagres; 2) ele foi morto por mãos iníquas, mas segundo o propósito de Deus; 3) ele ressurgiu dos mortos, como previram os profetas e testemunharam os apóstolos; 4) ele foi elevado à destra de Deus, e de lá derramou o seu Espírito; 5) ele dá o perdão e o Espírito a todos que se arrependem, crêem e são batizados; e 6) ele os acrescenta à sua nova comunidade.”

Para não deixarmos margem alguma sobre a eficácia da ação e da presença do Espírito Santo na vida dos crentes, a pregação de Pedro cheio do Espírito, sobre a pessoa de Jesus, foi capaz de convencer multidões (Atos 2.41), foram acrescentados aos 120 reunidos em Jerusalém, aproximadamente 3 mil almas rendidas a Jesus Cristo.

Penso não ser errado escolhermos e adotarmos estratégias e métodos para realizarmos a obra da evangelização, entretanto com toda certeza digo que é um grande e grave erro da igreja, quando não consulta ou deixa o Espírito Santo de fora dessas estratégias. A igreja de Jesus somente terá êxito no crescimento quantitativo e qualitativo, quando se dobrar a vontade e a ação do Espírito Santo, não é de se admirar que algumas igrejas permaneçam estagnadas por anos sem ver acrescentadas almas que se rendem a Cristo, talvez não estejam dando o devido lugar, central e do comando ao Senhor.

Outro aspecto que não posso deixar de abordar é ver que em algumas igrejas o Espírito Santo, bem como as suas ações parecem ser diminuídas, ou ainda, se quer ensinadas, de modo que os crentes podem ser influenciados de modo negativo a não buscarem os dons espirituais, em casos mais crônicos alguns cristãos já não creem nas ações sobrenaturais do Espírito Santo sobre a vida da Igreja.

O Espírito Santo não somente dota a Igreja de Cristo com poder sobrenatural, mas também muda a perspectiva de vida e olhar sobretudo a sua volta, sob a direção do Espírito, novos valores morais e éticos são internalizados e praticados, bem como a vivência prática da fé passa a ocorrer na vida cotidiana dos crentes e não somente no templo.

O escritor John Stott (10, p.89), escreve que “a comunhão cristã é cuidado cristão, e cuidado cristão é compartilhamento cristão. Crisóstomo deu uma linda descrição disso: “Aquilo era uma comunidade angelical, não consideravam exclusivamente deles nem uma das coisas que possuíam. Imediatamente, foi cortada a raiz dos males…ninguém acusava, ninguém invejava, ninguém tinha ressentimentos; não havia orgulho nem desprezo…O pobre não sabia o que era vergonha, o rico não conhecia a arrogância. ”Não podemos escapar do desafio desses versículos (Atos 4.32-37). O fato de termos centenas de milhares de irmãos carentes é uma contínua reprimenda para nós que somos mais ricos. Minorar as necessidades e abolir a miséria dentro da nova comunidade de Jesus são parte da responsabilidade dos crentes cheios do Espírito Santo.”

A ação do Espírito Santo na vida do crente é contínua e precisa ser valorizada, pois sem dúvidas é Ele quem impulsiona a Igreja a evangelizar, a ousar, a ir e a pregar aonde existe risco de prisão, martírio e morte, desde os apóstolos até os cristãos dos últimos séculos – lemos quantos se entregaram a obra da evangelização sem temer pela sua própria vida.

Penso que a Igreja não pode estar demasiadamente envolvida com outras atividades, de modo a não se empenhar na evangelização, na realização da missão, nossos eventos, agendas e liturgias não podem deixar de fora a responsabilidade e a efetivação do anunciar as boas novas.

Segundo John Stott (10, p.92), “a evangelização não era uma atividade ocasional ou esporádica da igreja primitiva.” Eles não organizavam campanhas quinquenais ou decenais (campanhas são boas, conquanto que não passem de episódios dentro de um programa contínuo). Não, o culto deles era diário (v. 46 a), e assim também o testemunho. O louvor e a proclamação eram o transbordamento natural de corações cheios do Espírito Santo. Eles buscavam as pessoas de fora continuamente, e então os convertidos eram acrescentados continuamente.”

Recorte – O ESPÍRITO SANTO ATUOU E ATUA AINDA HOJE NA IGREJA DE CRISTO

Com o objetivo de reforçar na mente da Igreja a importância de se ter o Espírito Santo na realização da missão, e Pentecostes não se tornar apenas um nome que indique uma festa ou um segmento dentro do cristianismo, o Espírito Santo agiu nas vidas dos apóstolos de Jesus, bem como age na vida dos cristãos mais recentes, relembrando também da história dos heróis da fé da nossa denominação.

Antes de trazer alguns feitos dos apóstolos, trarei os feitos de alguns missionários anônimos que Lucas registra em Atos dos Apóstolos 11.19-30, dando conta de alguns desses anônimos espalhados devido a perseguição que, anunciavam o evangelho somente aos judeus, enquanto os Chíprios e Cirenenses ao entrarem em Antioquia anunciavam aos gregos, no versículo 21 dia que a mão do Senhor era com eles e que um grande número creu e se converteu a Jesus.

Penso ser muito importante não permitirmos que as nossas aspirações egocêntricas possam gerar algum tipo de prejuízo na realização da missão, muitos que ensinaram sobre Jesus não tiveram seus nomes citados na bíblia, mas contribuíram com a pregação do evangelho e a expansão do reino de Deus.

A ação do Espírito Santo sobre os que pregavam o evangelho, a exemplo de Atos 2, não se limitou a um povo, tampouco a um território, pois agora podemos pensar em Antioquia como a primeira igreja internacionalmente falando, aonde algumas nações habitavam no mesmo lugar.

Ainda sobre a cidade de Antioquia, John Stott (10, p.228), escreve que, “assim, gregos, judeus, orientais e romanos formavam uma multidão mista que Josefo chamou de “a terceira cidade do Império”, depois de Roma e Alexandria.”
Os crentes foram impelidos por ação e/ou permissão de Deus para realizarem a missão, seja fugindo de perseguições em uma cidade sendo obrigados a se espalharem por outras cidades, ou ainda, por ordem ou instrução direta do Espírito Santo para irem a outros lugares. Anunciar a Jesus e a sua obra, era parte integrante na vida dos crentes e por onde passassem o evangelho era pregado.

Não podemos deixar de considerar que não eram os missionários ou evangelistas que acrescentavam mais e mais pessoas a igreja, antes porém, era o Senhor quem fazia aumentar a Igreja (Atos 2.47), penso ser no mínimo desrespeitoso para com Deus acharmos que o crescimento da Igreja de Jesus ocorra devido a nossa pessoa ou ao nosso trabalho sem a ação do Espírito Santo.

Não temos como falar da realização da missão sem falar do trabalho do apóstolo Paulo, homem encontrado por Jesus a caminho de Damasco (Atos 9), antes desse encontro Saulo era um religioso, guardador da lei e das tradições, judeu da “gema” (Filipenses 3.4-11), convicto de seus valores, tanto nos dogmas e modo de demonstrar a sua espiritualidade, entretanto foi impactado por Jesus a ponto de ao invés de seguir perseguindo a igreja de Jesus, tornou-se perseguido por amor ao Mestre e ao evangelho.

Após o encontro com Jesus, o apóstolo Paulo foi devidamente orientado, preparado e usado pelo Espírito Santo na realização da missão, o fato de ter Deus com ele não o livrou dos sofrimentos e das dores por onde passou pregando o evangelho.

Como um ser humano passaria por tantas lutas, adversidade, dores e angustias sem a ajuda do Eterno, pois a ação sobrenatural de Deus não somente o fortalece, mas também o usa com grande poder na evangelização, no preparo das lideranças e na consolidação doutrinária das igrejas.

2 Coríntios 11
22 São eles hebreus? Eu também. São israelitas? Eu também. São descendentes de Abraão? Eu também.
23 São eles servos de Cristo? – estou fora de mim para falar desta forma – eu ainda mais: trabalhei muito mais, fui encarcerado mais vezes, fui açoitado mais severamente e exposto à morte repetidas vezes.
24 Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove açoites.
25 Três vezes fui golpeado com varas, uma vez apedrejado, três vezes sofri naufrágio, passei uma noite e um dia exposto à fúria do mar.
26 Estive continuamente viajando de uma parte a outra, enfrentei perigos nos rios, perigos de assaltantes, perigos dos meus compatriotas, perigos dos gentios; perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, e perigos dos falsos irmãos.
27 Trabalhei arduamente; muitas vezes fiquei sem dormir, passei fome e sede, e muitas vezes fiquei em jejum; suportei frio e nudez. (NVI)

Não podemos duvidar que o Senhor atuou e está atuando nas vidas dos seus para que o seu reino seja expandido, para que o evangelho chegue aos palácios, fazendas, choupanas, mansões, vilas, bairros, cidades, estados e países, mesmo que, em alguns lugares ainda persista, como antigamente persistiu, grande hostilidade contra a pregação do evangelho de Cristo, entretanto a missão tem sido realizada.

Seja usando a vida do apóstolo Paulo até a sua morte, ou ainda, a vida de Guilherme Carey chamado “pai das missões modernas” (1761-1834), segundo escreve Orlando Boyer no livro Heróis da Fé da Editora CPAD (8, p.95,96), que “quando Deus o chamava a iniciar qualquer tarefa, permanecia firme, dia a pós dia, mês após mês e ano após ano, até acabá-la. Deixou o Senhor utilizar-se de sua vida, não somente para evangelizar durante um período de quarenta e um anos no estrangeiro, mas também para executar a façanha por incrível que pareça, de traduzir as Sagradas Escrituras em mais que trinta línguas.”

As igrejas achavam que era absurdo levar o evangelho aos pagãos, Orlando Boyer (8, p.97) relata que em certa reunião “Carey levantou-se e sugeriu que ventilassem este assunto: O dever dos crentes em promulgar o Evangelho às nações pagãs. O venerável presidente da reunião, surpreendido, pôs-se em pé e gritou: “Jovem, sente-se! Quando agradar a Deus converter os pagãos, ele o fará sem o seu auxilio, nem o meu.”

Talvez algumas igrejas oram e buscam os dons e as capacitações dadas pelo Espírito Santo, se reúnem por avivamentos, mas assim como essas igrejas da época de Carey, podem não estar levando a sério a missão, a importância em se pregar o evangelho para todo o mundo, certamente um equivoco, pois é responsabilidade de cada crente em Jesus anunciar as palavras do Senhor por onde passarem.

Me parece ser muito egoísmo recebermos de Deus tão grande salvação e não compartilharmos com outras pessoas que também necessitam, pois, um dia alguém também pregou o evangelho e fomos alcançados para o Senhor.

Uma história só será marcante, quando aqueles que levam a sério a realização da missão, não se derem por satisfeitos somente por terem alguns dos dons, por falarem em línguas, mas pelo desprendimento das coisas desse mundo, pela entrega ao Espírito Santo sem reservas, pela fé inabalável e disposição em terem suas vidas gastas pelo Senhor na evangelização, proclamando as boas novas, anunciando a Jesus como o Único Salvador.

Poderíamos falar de mais apóstolos e servos do Senhor que se emprenharam na realização da missão, como o apostolo Pedro que por vezes recebeu livramentos das mãos dos seus perseguidores, do companheiro chamado Silas que com Paulo esteve preso por pregarem o evangelho, dentre outros, mas julgo ser suficiente para esse pastoreio ressaltar que muitos dos apóstolos e dos discípulos de Jesus foram presos, torturados e mortos por estarem a serviço do Senhor, pregando as boas novas de salvação tanto para os judeus e para os gentios.

A AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO EM NOSSA DENOMINAÇÃO

(11) Por volta de 1940, o Sr. Carl W. Cooper e sua esposa Sra. Sarah Cooper, realizaram retiros espirituais em um sítio na região de Suzano – SP, onde também funcionava um orfanato dirigido pelo casal, ao longo dos tempos foram convidados alguns homens de Deus de alguns países para pregarem a palavra do Senhor, pedindo a Deus por um avivamento.

Aproximadamente por esse tempo, o presbítero Epaminondas Silveira Lima (fundador da ICPBB) e sua esposa Ada Silveira Lima, reuniam em sua casa um grupo de pessoas para orarem a Deus em busca de um avivamento, conta-se que eram tantas as pessoas que eles se ajoelhavam não somente nos cômodos da casa, mas no quintal e jardim. Os crentes perseveravam na oração com fervor, o Espírito Santo os preparava para um grande avivamento que culminaria na realização da missão alcançando muitas almas para Cristo.

O casal Silveira Lima costumava acolher em sua casa avivalistas, pastores, evangelistas e missionários de todo canto para cumprirem a missão de Deus no Brasil, o casal não somente hospedava os servos e servas de Deus, bem como saiam com esses para evangelizarem nas ruas. Para o presbítero Epaminondas não havia distância que o impedisse de evangelizar, homem culto, bem estabelecido socioeconomicamente na sociedade, mas que não tinha vergonha de pregar sobre Jesus.

O presbítero Epaminondas foi um dos precursores dos pregadores nos trens suburbanos no Brasil, colhendo muitas almas para o Reino de Cristo, nos vagões de São Paulo.

Segundo consta nas narrativas da própria missionária Ada, em um dos comícios do candidato a presidência da República, Getúlio Vargas, o casal distribuiu vários folhetos evangelísticos e evangelho segundo escreveu João.

Ao retornar de uma poderosa reunião de oração, Epaminondas encontra a sua esposa Sra. Ada Endrigo Silveira Lima falando em línguas e com uma nova dinâmica em sua vida, demonstrando-se mais animada do que antes, a primeira reação de Epaminondas foi a de não aceitar tal manifestação. Entretanto conhecendo a história de conversão de sua esposa e como era uma cristã convertida a Cristo, não implicou com a sua nova dinâmica de fé, ou seja, falando em línguas, todavia seguia orando a Deus sobre aquela manifestação da esposa, pois não fazia parte da sua crença denominacional.

Certa noite o Senhor usou a empregada doméstica do casal que era analfabeta, falando em profecia no idioma inglês, Epaminondas ao ouvir pensou ter chegado visitas do Estados Unidos, como era comum receberem em sua casa, foi quando espantado com o que estava vendo e ouvindo, creu na ação do Espírito Santo que dava línguas inteligíveis e ininteligíveis, segundo a sua vontade e propósito.

O amor pelas almas e pela comunhão com Deus o impulsionou a buscar com mais intensidade esse poder que a esposa já usufruía, foi quando na cozinha de sua casa em oração com a sua esposa pediu a Deus que fosse batizado com o Espírito Santo, recebendo o dom de línguas e dando inicio a uma nova etapa em sua vida ministerial.

Por dinâmicas de fé diferentes da denominação que faziam parte, iniciaram outra caminhada com alguns irmãos em Cristo que também haviam recebido dons, passaram a ajudar um avivalista americano. Quando o evangelista Boatright precisou retornar ao seu país, o, agora, pastor Epaminondas Silveira Lima herdou a tenda, planejada à sua mesa de jantar, fornecida por Oral Roberts e trazida dos Estados Unidos por aquele avivalista.

Assim começa a história da Igreja Cristã Pentecostal da Bíblia do Brasil, que no princípio chamava-se Cruzada Brasileira de Evangelização, iniciando suas atividades nos bairros do Cambuci, Pari e Jabaquara, localizados na cidade de São Paulo.

Por volta de 1970 o pastor Epaminondas realizava grandes caminhadas pelas ruas de São Paulo, com muitos irmãos erguendo faixas com citações bíblicas, irmãos estes oriundos das diversas igrejas da Pentecostal da Bíblia, o que na época por ser algo inovador chamava a atenção das pessoas, levando algumas a confessarem a Cristo como seu Senhor.

Muitos outros homens e mulheres de Deus se juntaram ao pastor Epaminondas, todos deram a sua contribuição, de modo a chegarmos aonde chegamos hoje, tanto no Estado de São Paulo, bem como em outros Estados pelo Brasil, a missão foi realizada pelos servos e servas de Deus.

A história da nossa denominação está marcada pelo mover do Espírito Santo, por histórias reais de homens e mulheres que se entregaram sem reservas nas mãos de Deus para servirem a sua Igreja e para pregarem o evangelho mundo afora. Temos no “DNA” da nossa história a realização de milagres em nome de Jesus desde a tenda, do sofrimento por se entregarem a evangelização como registrado no inicio da nossa igreja na cidade de Xaxim em Santa Catarina, aonde o pastor Epaminondas foi cercado e expulso da cidade por alguns moradores que por falta de entendimento bíblico viviam uma fé idolatra. No trabalho junto as ilhas no Paraná aonde os pastores e obreiros se locomoviam de barco para pregarem o evangelho alcançando vidas para Cristo, ou ainda, no Nordeste aonde várias igrejas foram fundadas por homens e mulheres cheios do Espírito Santo que com ousadia pregavam a Cristo e permitiam serem usados pelo Espírito de Deus.

Agora é a nossa vez, a nossa hora, estamos dispostos a sermos usados pelo Senhor, a sofrer por Ele, a persistir e crer que o Espírito Santo está conosco e que ainda realiza feitos extraordinários?

Sigamos crendo, confiando, obedecendo o ide de Jesus e honrando a Deus em tudo, não estamos órfãos, o Espírito Santo está conosco, Ele vive e ajuda a sua Igreja na realização da missão.

Ponto de Contato >>>

TEMOS CRIDO, CONFIADO E DEPENDIDO DO Espírito Santo PARA REALIZARMOS A MISSÃO, SOMOS OBEDIENTES A SUA VOZ E AO SEU COMANDO?

Argumentação >

Parece ser redundante o que vou abordar aqui, mas não temos como fazer a obra de Deus, sem incluir e depender de Deus, é através da oração, leitura, entendimento e pregação adequada da palavra e orientação do Espírito Santo que avançaremos com êxito nessa grande seara.

A proclamação do evangelho é tanto para dentro da igreja, ou seja, para os próprios crentes serem orientados, motivados, repreendidos, edificados, trabalhando nos crentes a fé em Cristo, bem como a mudança comportamental (nova vida) tendo Cristo como exemplo, contando com a ajuda do Espírito Santo.

A proclamação do evangelho também é para fora da igreja, para todo o mundo, o amor de Deus é declarado a toda sua criação (João 3.16), mesmo sem força-la a aceitar e a crer, disponibiliza o meio pelo qual poderão ser salvos, pela fé no Filho de Deus, essa é a missão para a Igreja proclamar a todas as pessoas a salvação em Jesus Cristo.

Alguns crentes e líderes parecem ter diminuído a confiança na ação do Espírito Santo, a meu ver, alguns aparentemente tornaram-se meros leitores da bíblia, entretanto sem conseguirem crer e vivenciar as experiências poderosas contidas na Escritura que não se limita ao Antigo Testamento, ou ainda, somente a época da Igreja primitiva. As ações poderosas de Deus estão mais vivas do que nunca, Ele fala com o mundo através da sua palavra, da natureza com os acontecimentos descritos na bíblia, nas calamidades, com atos miraculosos aonde a ciência não tem como explicar, o Senhor está ativo junto a sua criação, Ele está com a sua Igreja capacitando e usando os crentes de modo a contribuírem com a missão e a sua realização.

A ação do Espírito Santo sobre os crentes fez com que prevalecessem sobre os que eram contra a pregação do evangelho (Atos 6.10), O Espírito nos conduz a lugares (Lucas 4.01), o mesmo Espírito distribui vários dons para a Igreja (1 Coríntios 12.04), percebamos que a atuação do Espírito Santo sempre ocorre na vida dos crentes na vertical, ou seja, ser mais parecido com Jesus através da fé e da santificação e capacitação sobrenatural, e na horizontal enviando e auxiliando com poder na realização da missão, anunciando o evangelho a todos, para que todos os que crerem no Filho de Deus tenham a vida eterna.

Quando lemos sobre os personagens bíblicos e sobre os crentes de épocas mais recentes, podemos perceber que muitos decidiram negar a si mesmo, carregando a sua cruz para em amor e obediência servirem a Deus. Como Igreja de Jesus, penso que de igual modo podemos nos doar um pouco mais, buscar um pouco mais, sermos obedientes e realizarmos a missão, bem como cuidar para que a nossa fé e esperança não seja corroída pelos embaraços desse mundo.

Para se pensar…

Acreditamos piamente que Deus não mudou, que os planos de salvação em Jesus não mudaram, que o Espírito Santo sempre foi e que é atuante junto a Igreja, bem como o evangelho continua tendo poder para tocar e alcançar as vidas para Deus. Se cremos dessa forma, então a pergunta que talvez nos cabe fazer seja, nós mudamos na relação de fé e ação para com o Senhor?

Com todo temor e dependência de Deus, penso que nós como igreja de Cristo, precisamos urgentemente dar respostas mais assertivas, fazendo a missão, comunicando ao mundo a existência e a vontade do Senhor. Talvez por alguma razão nos acostumamos a provar minimamente do poder de Deus, ou ainda, talvez nos acostumamos a fazer o mínimo, sem grandes sacrifícios da nossa parte para servir a Jesus em sua obra e, provavelmente sejam essas as causas dentre outras, pela qual a igreja parece viver um estado de mornidão e frieza espiritual.

 

 

2020 – O Ano da Evangelização
de uma igreja bíblica e relevante

Pastor Ronildo Queiroz
Serviçal da Igreja de Jesus Cristo

 

Referências

1. Bíblia King James BKJ – Fiel – bvbooks, LifeWay, 2015.
2. Sal & Luz: compreendendo, vivendo e praticando a missão. Ronaldo Lidório – Editora Betânia
3. Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamento. F.F. Bruce – Ed. Vida.
4. Atos: introdução e comentário – I. Howard Marshall. Série Cultura Bíblica – Editora Vida Nova, 2011.
5. Atos – a ação do Espírito Santo na vida da igreja – Hernandes Dias Lopes, Editora Hagnos, 2012.
6. Trabalho Pastoral – princípios e alternativas – Alberto Barrientos, Editora Cristã Unida Associação Evangélica Menonita, 1991.
7. A mensagem de Atos: até os confins da terra. John Stott. ABU Editora, 2008.
8. Heróis da Fé: vinte homens extraordinários que incendiaram o mundo. Orlando Boyer. CPAD, 1985.
9. Israel a Igreja e o Pentecoste: a festividade e seus simbolismos, o derramamento de Espírito Santo na Igreja Primeva e a atualidade nas modernas denominações cristãs. – Marcelo Magalhães, Editora Ágape, 2012.
10. A Mensagem de Atos: até os confins da Terra, John Stott, ABU Editora, 2008.
11. Revista de Escola Bíblica – REB – n. 04. (material interno da denominação).

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