Pastoreio #69

UMA IGREJA CONTEMPORÂNEA E BÍBLICA

Quando olho para trás percebo quantas coisas mudaram, evoluíram e se modificaram, algumas de modo drástico, a ponto de nos levar a questionar a forma como fazemos muitas coisas. O avanço tecnológico certamente contribuiu e contribui de modo a facilitar e possibilitar a vida das pessoas, podendo influenciar de modo vertiginoso a mudança dos hábitos, usos e costumes.

Até mesmo as línguas faladas nas nações sofreram modificações, os dicionários precisaram ser atualizados, gírias ocuparam o lugar de palavras mais formais, outras palavras foram ressignificadas em seus sentidos dentro de certos contextos culturais, costumes e hábitos mudaram, algumas culturas passaram por transformações, o estilo e a moda tem mudado constantemente, ocorreram avanços na medicina, bem como na forma das pessoas se relacionarem, o que certamente desafia a Igreja a se posicionar de modo a alcançar esse público que vive em constante mutação.

Estamos presenciando de tempos em tempos o nascimento de um novo mundo, mundo esse que requer da Igreja uma comunicação mais atualizada, ações evangelísticas mais eficazes que consigam alcançar os que ainda não receberam de bom grado o evangelho de Cristo.

O desafio de contextualizar não implica em ter outro evangelho, em pregar outra mensagem, muito pelo contrário, em todos os tempos podemos constatar como o evangelho de Jesus tem sido sempre atual, entretanto a forma como o anunciamos, os meios que utilizamos e os paradigmas que criamos geralmente podem gerar algum tipo de barreira, fazendo com que a eficácia da palavra muitas vezes não aconteça na velocidade que poderia acontecer nas vidas das pessoas.

Uma igreja contemporânea precisa estar antenada com o mundo de hoje, disposta a abrir mão e a se adequar no que diz respeito a forma, método, sem abrir mão do que é bíblico. A igreja que consegue estabelecer vínculos com os seus contemporâneos, provavelmente conseguirá um êxito maior quanto a evangelização, claro que sabemos que o Senhor é quem usa a igreja e quem convence o pecador de seus pecados, da vida eterna e da morte eterna, mas Deus conta com o seu povo na realização da missão.

O que ocorre é que ao longo dos tempos algumas instituições/denominações acabaram escolhendo caminhos que a meu ver engessou as possibilidades, novamente quero ressaltar que não falo aqui de afrouxamento na observação das doutrinas bíblicas, mas de criação de paradigmas e dogmas que não possuem uma base bíblica sólida e que muitas vezes, em alguns casos, me parece ter servido como algum tipo de barreira na comunicação com os não cristãos e até com os próprios cristãos que podem ter construído suas crenças em bases muito mais culturais e temporais do que em bases bíblicas, eternas e imutáveis.

Alguns evangélicos constroem para si uma visão do mundo que os leva a se isolarem, com a pretensão de se manterem santificados adotam comportamentos de não relação com os que não confessam a própria fé, ou ainda, não se relacionam com crentes de outras denominações. Os extremismos sempre foram, são e serão perigosos quanto a perda da realidade, pois pensar e se comportar dessa forma me parece dificultar de alguma maneira a pregação do evangelho de Cristo.

Para Stott (2013), a pregação precisa ser bíblica e contemporânea, buscando aplicar os ensinamentos bíblicos ao contexto moderno de hoje. Para mim a bíblia é sempre atual, acredito nisso como um fato, entretanto percebo como temos dificuldades para nos desprender dos nossos preconceitos e formas, talvez por isso a nossa pregação não tenha tido tanto êxito, ainda que a palavra de Deus é por si só poderosa, mas quando não temos a devida habilidade para pregar, acabamos não conseguindo estabelecer com os ouvintes o vínculo e a empatia necessária que certamente favorecem a atenção e escuta desses ouvintes à pregação do evangelho de Cristo.

Além do modo como precisaremos aprender a nos comunicar com o mundo de hoje, outro aspecto que acaba por prejudicar um avanço maior da Igreja na terra, se dá pelo fato das muitas regras e exigências divorciadas da bíblia, segundo Rainer e Rainer (2014, p.187), “as igrejas se tornaram complexas demais e as indesejáveis barreiras para se entrar (ou retornar) são muitas.”

Para McAlister (2009, p. 71) “o que nós vemos hoje é que a Igreja parece gastar toda a sua energia vital na realização de cultos, mas não preparam seus membros para viver dia a dia.”

Como denominação/igreja não podemos reforçar na membresia o isolamento do mundo, como se o mundo fosse mais poderoso do que o evangelho de Cristo, certamente quando esse isolamento é ensinado e motivado, talvez nos revele que os crentes não foram adequadamente discipulados, pois os cristãos deveriam estar se relacionando com o mundo sem se render aos ensinamentos e prazeres pecaminosos desse mundo, antes, sendo imitadores de Jesus.

Muito provavelmente a igreja não consegue ser contemporânea na pregação do evangelho, por justamente, não ter diálogo com o mundo não cristão, considerando que a alguns anos a TV, internet e alguns meios de comunicação e redes sociais, para alguns crentes eram inadmissíveis em suas casas e vidas, com essa medida buscavam se resguardar ou santificar para Deus.

Uma igreja contemporânea e bíblica é capaz de realizar o ide de Jesus se relacionando com todas as pessoas, independentemente da sua fé e credo, conseguindo discipular e nutrir a membresia de tal modo que com a ajuda do Espírito Santo, esses cristãos são conhecidos como tal pelos seus comportamentos, sendo imitadores de Jesus.

Para McAlister (2009, p.50,51) “a Igreja hoje não distância pessoas do mundo. Ela cria cidadãos do mundo, desagradáveis, soberbos. A medida de uma igreja é a qualidade dos discípulos que forma; isto é, se esses discípulos honram a Deus, se são luz entre as trevas, sal da terra, honestos, de palavra, piedosos, castos, fiéis a seus cônjuges, homens de negócios honestos que não dão propinas a fiscais, pontuais; se dão um dia honesto de trabalho por um dia honesto de salário; se são pessoas que, apesar dos danos que podem sofrer, falam a verdade; se são pessoas que criam os filhos no temor do senhor e observam com reverência as coisas de Deus. Essa é a medida de uma igreja. A igreja que proporciona essas coisas é uma boa igreja.”

Penso que o mais grave é quando alguns cristãos tentando se santificarem para Deus se isolam do mundo, achando que fazendo isso agradam ao Senhor, mas esses mesmos cristãos mantém as velhas práticas sendo, mentirosos, ladrões, enganadores, caluniadores, insubmissos, adúlteros e fornicadores, dentre outros comportamentos condenados pela palavra de Deus, ou seja, na prática os cristãos que mantém esses comportamentos são o próprio mundo que não quer saber de Deus dentro da igreja.

Uma igreja contemporânea e bíblica precisa ser mais que um culto no templo, precisa ser mais que uma cultura meramente religiosa, segundo Swindoll (2012, p.87) “a igreja contagiante é formada por indivíduos que vivenciam os princípios bíblicos com tamanha transparência a ponto de fazer as pessoas interromperem seu ritmo alucinado e refletirem. Essas pessoas percebem que existe um lugar aonde vale a pena ir e um movimento do qual vale a pena participar.”

Penso que podemos fazer nossos eventos ou programas denominacionais, entretanto não podemos dar menos importância a evangelização no mundo, o que implica em saber nos relacionar, nos esvaziando dos nossos preconceitos e julgamentos sem deixar de observar os princípios bíblicos.

Segundo Swindoll (2012, p.251), “[…] igrejas que se dedicam a muitas atividades estão predispostas a sofrer erosão. É triste perceber que muitas dessas congregações não estimulam o crescimento espiritual e o poder de análise, pois o foco delas está em alcançar resultados.”

Recorte – COMO SER UMA IGREJA CONTEMPORÂNEA E BÍBLICA?

Marcos 16
15 E Ele disse-lhes: Indo por todo mundo, pregai o evangelho a toda criatura. (Bíblia King James Fiel)

Penso que para ser uma igreja contemporânea e bíblica, primeiramente precisamos entender a mensagem de Jesus, qual a missão dada e o papel dos cristãos. Os cristãos não foram instituídos como juízes, fiscais dos portões do céu, antes, porém, foram chamados para ser semeadores do evangelho de Cristo, sendo ajudados pelo Espírito Santo, segundo a promessa feita por Jesus, “vocês não ficarão órfãos, rogarei ao Pai para lhes enviar o Consolador”.

Uma igreja contemporânea e bíblica precisa de fato acreditar no perdão de Deus para todos aqueles que pecando se arrependerem e optarem por se empenharem em ter uma nova vida com Cristo, e ainda que, venham a pecar novamente encontrarão o Senhor pronto para mais uma vez perdoar e restaurar mediante a confissão e abandono do ato pecaminoso.

Quando os cristãos demonstram ter menos misericórdia com o próximo da que recebem de Deus, a comunicação com o mundo é afetada de modo relevante, podendo fazer com que os que pecam não queiram ouvir a pregação do evangelho, talvez como igreja nos esquecemos ser também suscetíveis ao pecado, e quando nos comunicamos julgando e sentenciando as pessoas, podemos de alguma forma estar dificultando ainda mais o encontro destas com Deus.

As vezes penso que se Jesus estivesse corporalmente entre nós, talvez o comportamento do Senhor renderia críticas e julgamentos de alguns cristãos contra Ele, lembremos que quando Jesus falou com Zaqueu e disse querer estar com ele em sua casa e como se não bastasse ainda o chamou de filho de Abraão (Lucas 19.01-10), filiação que provavelmente os religiosos não estavam dispostos a dar a Zaqueu, gerou grande indignação entre eles contra Jesus.

A igreja dos dias de hoje deve continuar sendo bíblica, entretanto, menos religiosa, menos julgadora, menos preconceituosa em questões cuja palavra de Deus não identifica ou aponta como pecado, pois somente assim muitas pessoas poderão ser alcançadas para Cristo.

A igreja contemporânea e bíblica não pode adotar uma postura colonizadora, sufocando a cultura alheia quando essa não fere a palavra de Deus, quanto a sua forma, usos e costumes, tentando impor à força sob ameaças de exclusão ou não salvação dos que não pensam ou sejam iguais, antes, porém, a igreja precisa pregar o reino de Cristo, considerando o exemplo do próprio Jesus que dialogava com o diferente e até com o rejeitado pelos próprios judeus, como a mulher Samaritana (João 4.20-24), por exemplo, desconstruindo uma forma distorcida de pensar daquela mulher sobre Deus e a sua palavra.

Ainda que em nossas relações com pessoas não cristãs percebamos que os seus princípios e comportamentos não coincidem com os orientados na bíblia, podemos e devemos com amor, paciência e sem julgamentos lhes ensinar a palavra de Deus, caso elas queiram aprender, pois assim teremos a oportunidade de unir a pregação do evangelho com o nosso comportamento mais cristão e não meramente religioso, o que certamente favorecerá a pregação e o entendimento da palavra de Cristo.

Acredito que como cristãos, precisamos ser sinceros consigo mesmos, para que a pregação do evangelho seja acompanhada da misericórdia, longanimidade e amor pelo pecador e não com hipocrisia, ou seja, tentando impor aos outros o que nós mesmos não somos ou fazemos. Não se trata aqui de validar ou conviver pacificamente com o pecado, mas de entender que cada pessoa pode exigir um tempo diferente do nosso para ser alcançada pelo Senhor.

De acordo com Manning (2008, p.39), “hipócritas são levados por um desejo compulsivo de parecer perfeitos. Esperamos que todos nos admirem e ninguém nos conheça de verdade. A vida do hipócrita é uma montanha-russa com subidas alucinantes e descidas de fazer o coração saltar pela boca.”

Penso e a cada dia estou mais convencido que uma igreja que consegue transitar no mundo sendo santa, gentil, amorosa e misericordiosa com as pessoas que ainda não conhecem a Cristo, aliada a poderosa palavra de Deus e ação do Espírito Santo, tem muito mais probabilidade de alcançar as pessoas para o reino de Cristo.

Ressaltando esse pensamento, o escritor Lidório (2014, p.118), escreve “preocupo-me quando apregoamos uma espiritualidade sem amor. Quando a igreja não chora com os que choram ou quando os nossos relacionamentos vão se tornando cada vez mais utilitários. Preocupo-me quando o mundo age com mais misericórdia com o caído do que o próprio povo de Deus. Fico apreensivo quando a igreja passa a definir sua experiência de fé a partir de seus ajuntamentos solenes e não dos seus relacionamentos sinceros. Preocupo-me quando não amamos.”

Acredito que a essência de uma igreja contemporânea e bíblica pode ser constatada em Atos dos Apóstolos 2.42 Eles continuavam firmemente na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações (BKJ – Fiel)., aliado a esses entendimentos a igreja se comporta em consonância com João 3.16 Porque Deus amou tanto ao mundo que ele deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (BKJ – Fiel)., conseguindo anunciar o evangelho com misericórdia, paciência, amor e dedicação na evangelização das pessoas, mesmo com as pessoas mais resistentes à palavra de Cristo.
Para Lidório (2014), o amor não pode ser compreendido meramente por guardar regras religiosas, ou ainda, por cumprir ou desempenhar um papel meramente institucional, antes porém, o amor precisa ser relacional e sincero para com o próximo, toda e qualquer atividade ou ativismo sem o amor a exemplo do amor de Cristo é vazio e sem sentido.

Sobre os comportamentos que um discipulador deve ter com o seu discípulo, Phillips (2008), ressalta que precisa ter calor humano, lealdade, imparcialidade, maturidade, disponibilidade, paciência, sinceridade e motivação, ou seja, indicando que o discipulado é relacional.

Acredito que no estabelecimento de uma relação entre a igreja e o mundo, em que a igreja continua sendo sal e luz, entretanto sem medos e preconceitos, conseguindo estabelecer um relacionamento e um canal de comunicação sem ódio, sem julgamentos, sem condenação alheia ao inferno, demonstrando mais paciência, se dedicando ao ensinamento da palavra de Cristo, amor e empatia pelo outro, muito provavelmente favorecerá o processo de evangelização no mundo.

É provável que alguns cristãos acabam estabelecendo algumas barreiras entre eles e Deus, o que consequentemente poderá refletir na realização da missão como uma igreja contemporânea e bíblica.

Sobre as barreiras que alguns cristãos erguem como se fossem véus que os impedem de compreender o querer de Deus, Tozer (2020), escreve que pode ser por, valorizar a vontade própria, serem orgulhosos e teimosos, nutrirem uma ambição religiosa que compete com o evangelho, fazerem a defesa dos seus próprios direitos, por alimentarem seus medos e incredulidades, por amor desenfreado ao dinheiro, por preferirem as suas amizades em lugar da amizade com Deus, por serem vaidosos quanto a manter sua posição social para serem admirados, por isso, precisamos arrancar os véus, para não estabelecermos nos nossos corações rivais para Deus, não sendo enganados com outro evangelho que não seja o de Cristo, não limitando a ação do Espírito Santo em nós e nos outros, bem como não perdendo tempo com questões que não tenham a ver como reino de Deus.

Precisamos a meu ver, ser separados para Deus sem perder a noção da nossa humanidade, talvez alguns cristãos por simplesmente suprimirem seus sentimentos sem apresentá-los ao Senhor para poder lidar melhor consigo próprio e de modo mais adequado, acabam resumindo a sua vida cristã a uma vida meramente religiosa e superficial.

Segundo Manning (2008, p.101), “o espirito dos fariseus sobrevive hoje nos que se valem da religião para humilhar e controlar os outros, prendendo-os numa rede religiosa, enquanto observam as pessoas se debatendo com exigências impossíveis e com sentimentos esmagadores de culpa, sem lhes mostrar o caminho que leva ao Deus que oferece maná ao faminto e descanso ao que está cansado.

A pessoa que recentemente pendurou uma placa com os dizeres Homossexuais não são bem-vindos na porta de uma igreja não é muito diferente daquele que fixou a placa que dizia Proibida a entrada de negros e cães na porta de uma loja na década de 1940. Ambos estão passando a mensagem de que são melhores que alguma outra pessoa pela qual Jesus também morreu.”

A igreja não pode anunciar o que o evangelho não anuncia, tampouco pode adotar comportamentos ou assumir o lugar de juiz, de atiradora de pedras nos pecadores, mas o papel da igreja é o de pregar o evangelho de Cristo, compreendendo que a mudança e a transformação na vida do outro é entre o outro e Deus.

Preciso ressaltar que a igreja não pode deixar de pregar contra o pecado, entretanto com comportamentos de misericórdia, amor, compaixão pelo pecador, como se esse pecador fosse um de nossos parentes que por mais errante que seja, me parece que podemos ter nesses casos um comportamento mais misericordioso, justamente por ser alguém ligados pelos laços sanguíneos, tenhamos esse mesmo comportamento com todas as pessoas.

Ser uma igreja contemporânea nos leva a envolvermos com as dificuldades e dores do mundo de hoje, ter interesse pelos menos favorecidos, pelo bem-estar no planeta, por uma justiça que considere equidade e igualdade e através da pregação da palavra de Deus levar uma mensagem de amor e esperança que é capaz de mudar o ser humano e consequentemente o mundo no qual está inserido.

Quando pensamos segmentando tudo a nosso redor, corremos o risco de olhar somente para o nosso próprio “umbigo”, talvez estar mais interessados com as nossas dores e propósitos, nos esquecendo do mundo em sua coletividade.

Ao ser enviado por Deus Pai, Jesus veio para os judeus, mesmo após os seus não o receberem, Ele poderia ter voltado para o Pai, mas Ele seguiu a sua missão por todos os judeus e gentios, o amor de Cristo é real e temos evidências desse amor em seu comportamento em relação ao mundo.

A meu ver a igreja que consegue acessar ou se comunicar de modo mais eficaz com o mundo atual, é uma igreja que permite a quebra de paradigmas, sem negociar ou abrir mão da palavra de Deus, que se interessa por todos independentemente do pecado cometido, que não coloca usos e costumes, gostos pessoais e tradições acima da missão de Deus, pregar o evangelho a toda criatura, ajudando-as a serem discípulos de Jesus Cristo.

Uma igreja contemporânea pode até modificar a decoração do templo, investir em tecnologia, sofrer mudanças na forma dos obreiros se vestirem, na forma de pregarem fazendo uso das mais variadas tecnologias, mas sem sombra de dúvidas, deverá permanecer bíblica para não perder a essência, a eficácia da transformação na vida do ser humano, que se dá pela pregação e ensino da palavra de Deus, pela ação poderosa do Espírito Santo e da total dependência da igreja a Cristo.

Ponto de Contato >>>

O QUE A IGREJA TEME EM RELAÇÃO AO MUNDO?

Argumentação >

Acredito que a começar pelo fato de se ter uma grande confusão sobre o que é pecado e o “mundo”, pois existem algumas crenças ou crendices estabelecidas por alguns irmãos de fé que acabam considerando pecado tudo aquilo que for diferente do seu modo de ver e de se relacionar. É preciso estarmos atentos ao que a palavra e as ações do próprio Jesus nos comunicam como pecado e não pecado, a partir daí podemos ter uma fé mais bíblica e um comportamento mais parecido com o que Jesus teve com todas as pessoas com as quais encontrou.

Talvez uma forma de nos ajudar a ter um comportamento mais contemporâneo e bíblico, seja o de entender que existem alguns padrões que nós mesmos estabelecemos como sinal de santidade e que não passam pelo crivo bíblico. Me parece que alguns cristãos deixaram de viver, de se permitirem ser alegres, de participar aos encontros familiares e parentais, por talvez pensarem que agora sendo cristãos deveriam cortar a relação com todos os que não professem a sua fé e que não sigam o seu padrão.

Podemos pensar que quando criamos ou estabelecemos uma antipatia, podemos gerar um afastamento das pessoas fazendo com que elas não nos escutem quanto a pregação do evangelho de Jesus, pois quando não existem vínculos bem estabelecidos, dificilmente existirá confiança e disposição para ouvir e considerar o que dissermos.

Será que alguns cristãos temem o mundo ou temem não estarem de fato convertidos ou certos da sua vida separada para Deus, sendo assim, justifica o fato de que tudo é demonizado e o lugar seguro pode ser somente a sua comunidade de fé, ou ainda, estar ou conviver com pessoas que tenham crenças e hábitos iguais as suas.

 

Para se pensar…

Considero que a igreja de Jesus consegue ser bíblica e ainda assim conseguir se comunicar e se relacionar com o mundo, penso que a grande questão não está no mundo externo, mas em nosso mundo interno, ou seja, como vemos as coisas e quais convicções temos em Cristo para ter esse relacionamento com os não cristãos.

Se a pregação do evangelho dependesse somente do apóstolo Pedro, certamente os gentios não seriam alcançados, ainda que o Senhor tratou com Pedro sobre “não ter como impuro o que Ele santificava” (Atos 11), falando do plano de salvação estendido também aos gentios e não somente aos judeus como Pedro a priori acreditava. Ainda bem que o Senhor não somente abriu o entendimento de Pedro, mas também chamou Paulo como apóstolo para falar aos judeus, reis e gentios.

Que tipo de Igreja nós temos sido, Pedro sem o entendimento que Deus quer salvar a todos ou Paulo que sabia entrar e sair, transitar entre os mais variados tipos de pessoas e crenças sem ofender o outro, antes, porém, através da pregação do evangelho e de um comportamento mais misericordioso e amoroso me parece ter alcançado a muitos para Cristo.

 

 

 

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2020 – O Ano da Evangelização
de uma igreja bíblica e relevante

Pastor Ronildo Queiroz
Serviçal da Igreja de Jesus Cristo

 

Referências

Referências

LIDÓRIO, R. Sal e luz: compreendo, vivendo e praticando a missão. Revisão Rita Leite. Belo Horizonte: Betânia, 2014.

MANNING, B. Falsos, metidos e impostores. Tradução: Robinson Malkomes. São Paulo: Mundo Cristão, 2008.

MCALISTER, W. O fim de uma era: um diálogo crítico, franco e aberto sobre a igreja e o mundo dos dias de hoje. Rio de Janeiro, RJ: Anno Domini, 2009.

PHILLIPS, K.W. A formação de um discípulo. Tradução: Elizabeth Gomes. 2ª ed. ver. e atual. – São Paulo: Editora Vida, 2008.

RAINER, T.S., RAINER III, S.S. Igreja essencial: resgatando uma geração que está abandonando a fé. Tradução: José Fernando Cristófalo. Brasília: Palavra, 2014.

STOTT, J. A Igreja autêntica. Tradução: Lucy Hiromi Kono Yamakami. – 1 ed. Viçosa, MG: Editora Ultimato: São Paulo: ABU Editora,2013.

SWINDOLL, C. A igreja desviada: um chamado urgente para uma nova reforma. traduzido por Vanderlei Ortigoza. São Pulo: Mundo Cristão, 2012.

TOZER, A.W. A vida crucificada: Como viver uma experiência cristã mais profunda. Compilado e editado por James L. Snyder; tradução Lucy Yamakami. São Paulo: Editora Vida, 2020.

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