Pastoreio #72

SER DISCÍPULO DE JESUS

A palavra discípulo, pode ser compreendida como aluno que está debaixo da tutela de um mestre, quero começar a escrita desse pastoreio chamando a nossa atenção para o fato de que, para ser aluno precisamos querer ingressar em uma escola, universidade, ou em qualquer outro curso ou especialização, ou seja, precisamos querer aprender para poder praticar.

Acredito que um dos maiores desafios para os que se candidatam a discípulos de Jesus seja, ter a disposição para aprender, ser ensinável, querer se submeter aos ensinamentos e exemplos do Mestre. Percebamos que algumas pessoas ao longo das suas vidas estão sempre orbitando sem crescerem espiritualmente, sem construírem nada que glorifique a Deus, ou ainda, não levando em conta o quanto de suas próprias resistências contra o processo discipular podem estar estagnando suas vidas.

Parece-me razoável pensar que o orgulho, a teimosia, a insubmissão e a rebeldia são variáveis que acabam por influenciar de modo prejudicial o processo discipular na vida das pessoas, quando elas se deixam vencer por algumas dessas variáveis, não obedecendo a Jesus.

Quando uma pessoa não é ensinável, geralmente apresenta sérias resistências às mudanças, podendo com isso, levar mais tempo para se chegar aonde Cristo quer que os seus seguidores cheguem. Considerando isso, podemos pensar em algumas consequências ao reino de Deus, por justamente, muitos cristãos não estarem prontos como poderiam estar e consequentemente não terem comportamentos que glorifiquem a Deus, deixando de alcançar mais pessoas para Cristo.

Ser discípulo de Jesus implicará em ter a disposição para escutar, obedecer e praticar os ensinamentos do Mestre, de modo geral, provavelmente teremos muitas dificuldades para negar a si mesmos e carregar a cruz, mas cientes que, se seguirmos os passos de Jesus estaremos fazendo uma excelente semeadura, consequentemente teremos uma grande colheita de Deus em nossas vidas.

Para Phillips (2008), o discípulo de Jesus precisa ter a disposição e a capacidade para obedecer e se submeter a Deus, amar o próximo e manter uma vida de oração, pois somente assim, será capaz de seguir os ensinamentos e exemplos do Mestre Jesus.

Segundo Philips (2008, p.37), ““se o caráter de Cristo estiver faltando, você ainda não morreu para si mesmo e não está preparado para reproduzir.” Percebamos que o processo discipular apresenta uma coerência, ou seja, para discipular aos outros é preciso primeiro ser discípulo, como poderemos ensinar as outras pessoas sobre Jesus se não seguirmos de fato a Ele.

Acredito que alguns podem confundir o ter habilidades bem desenvolvidas para realizar tarefas com a capacidade de se submeter e ser discípulo de Cristo, segundo Philips (2008, p.37), “talvez a maior dificuldade que você tenha de enfrentar seja crer de fato que seu caráter é mais importante do que sua capacidade ou suas habilidades.”

Ser discípulo de Jesus precisa ser encarado como um privilégio e ao mesmo tempo como uma grande responsabilidade, pois penso que não somente as nossas ações podem contribuir, bem como dificultar o avanço no reino de Deus.

Me parece coerente de tempos em tempos repensarmos a nossa vida, considerando a luz da palavra de Deus o que de fato coopera com o evangelho e o que não coopera, assim podemos, com a ajuda do Espírito Santo fazer os ajustes que sejam necessários para termos uma vida discipular mais plena.

O mais intrigante, é que Jesus chamou para ser seus discípulos homens que provavelmente não foram ou não seriam aceitos pelas escolas rabínicas da época, entretanto, foram chamados pelo Mestre para tomarem parte em um grande projeto que repercutiria nos próximos dois mil anos seguintes ao seu tempo.

Para iniciar a caminhada com Jesus não se faz necessário ser perfeito, ou ainda, ser aprovado pelas pessoas, antes, porém, é necessário se ter fé para ao ouvir o chamado do Mestre “vem e segue-me”, ter a disposição para seguir o Senhor.

Os verdadeiros discípulos de Jesus não são atraídos por estratégias estapafúrdias ou por “truques” revestidos de evangelismo, antes, são atraídos por Jesus e pelo seu evangelho, sendo o suficiente para instruir e fortalecer as pessoas que se entregam a Cristo, a viverem o processo discipular.

Precisamos considerar que corremos o risco de achar que somos discípulos de Jesus, quando na verdade podemos estar “flertando” com Cristo, sem observar os princípios ensinados por Ele, segundo Phillips (2008, p.39) “a principal ocupação do discípulo deve ser que seu caráter seja construído e multiplicado.”

Quando falamos de construção de caráter, penso que remete a termos valores morais tão bem enraizados em nós, que nos deem não somente a motivação, mas também a determinação para praticarmos esses valores em nossa vida cotidiana.

Quando pensamos em ser alunos de Cristo, precisamos ter claro que além do conteúdo teórico, precisaremos também ter a vivência prática desses ensinamentos. A obediência e a permanência aos ensinamentos de Jesus nos habilita a ser discípulos Dele.

João 8.31
Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos;

Mesmo quando em nossa mente enfrentamos batalhas entre fazer a nossa vontade e a vontade de Deus, devemos nos esforçar em nos render a vontade do Senhor, segundo Phillips (2008, p.47), “quando há conflitos entre a Palavra de Deus e os sentimentos, o discípulo resolve fazer o que Deus ordena.”

Ser um discípulo de Cristo, vai muito além de fazer parte de uma denominação, ou ainda, de um grupo de discipulado, ser aluno de Jesus é imitar em todos os aspectos o Mestre, tarefa que não é fácil, mas necessária para que as outras pessoas que ainda não conhecem o Mestre possam através de seus discípulos não somente ouvir, mas ver no testemunho de vida a mensagem de Cristo.

Recorte – OS DISCÍPULOS DE JESUS SÃO DESAFIADOS E PROVADOS

Certamente os que estão seguindo a Jesus irão se deparar com algumas dificuldades ao longo do caminho, provações que exigirão dos discípulos fé e resiliência, mas em meio a tudo isso, o Espírito Santo auxilia os alunos de Cristo a seguirem firmes no proposito de agradarem a seu Senhor dando bom testemunho e pregando o evangelho por onde passam.

Segundo MacDonald (2009, p.27), “qualquer um que se proponha a seguir a Cristo pode ter certeza de que muitas rotas de fuga surgirão diante dele. Ele receberá inúmeras oportunidades para voltar atrás. Outras vozes chamarão, oferecendo maneiras de se afastar da cruz.”

Os cuidados e orientações de Jesus aos seus discípulos geralmente envolviam alertas contra os prazeres dessa vida, contra a cobiça dos olhos, contra aos desejos carnais que os afastariam de Deus, parece que vencer esses desafios continua sendo uma missão para os cristãos. Segundo MacDonald (2009, p.43), “a desgraça da Igreja do século XXI é que se pode encontrar mais zelo entre os homens-bomba e seguidores de cultos profanos do que entre os cristãos.”

Talvez alguns discípulos de Jesus sejam bons realizadores de tarefas, mas quando são postos à prova não suportam e fracassam na fé, deixando de ser alunos de Cristo, e assim com o cão “voltam ao vômito” (2 Pedro 2.22), ou seja, a velha vida sem Cristo.

Os desejos dessa terra colocam à prova a fidelidade, a santidade, a perseverança na fé e a confiança em Deus dos discípulos, nossa opção deveria sempre ser a de escolher ser fiel a Cristo e ao evangelho, infelizmente nem todos os cristãos demonstram tal resistência as tentações, dificuldades e provações.

O escritor MacDonald (2009) traz em seu livro “O discipulado verdadeiro”, o trecho de uma carta lida por Billy Graham, escrita por um universitário norte-americano que se convertera ao comunismo no México, com o intuito de despertar os cristãos para uma vida de maior fidelidade ao Noivo.

De acordo com MacDonald (2009, p.44,45), a carta mostra o nível de fidelidade, resiliência e dedicação a uma causa, como leremos a seguir:

 “Nós, comunistas, temos uma elevada taxa de mortalidade. Somos aqueles que recebem os tiros, que são enforcados, linchados, alcatroados, presos, caluniados, ridicularizados e demitidos de nosso trabalho, bem como perturbados por qualquer outro modo possível. Certa porcentagem de nós é assassinada ou presa. Vivemos uma vida de pobreza. Devolvemos ao partido todo centavo que ganhamos acima daquilo que é absolutamente necessário para sobreviver. Nós, comunistas, não temos tempo ou dinheiro para filmes, concertos, restaurantes, casas decentes ou carros novos. Fomos descritos como fanáticos. Somos fanáticos. Nossa vida é denominada por um grande fator que tudo diminui: lutamos por um mundo comunista.

Nós, comunistas, temos uma filosofia de vida que nenhuma quantidade de dinheiro pode comprar. Temos uma causa pela qual lutar, um propósito definido na vida. Submetemos nosso eu mesquinho e individual a um grande movimento da humanidade e, se nossa vida pessoal parece dura, ou se nosso ego parece sofrer diante da subordinação ao partido, então somos corretamente compensados pela ideia de que cada um de nós, à sua pequena maneira, está contribuindo para algo novo, verdadeiro e melhor para a humanidade.

Existe uma coisa com a qual sou muito sério, que é a causa comunista. É minha vida, meu negócio, minha religião, meu hobby, minha querida, minha esposa e amante, meu alimento.

Trabalho nela durante o dia, sonho com ela à noite. Seu controle sobre mim cresce, em vez de diminuir com o passar do tempo. Portanto, não posso levar adiante uma amizade, um caso de amor, nem mesmo uma conversa sem tocar nela, essa força que tanto impulsiona quanto conduz a minha vida. Avalio pessoas, livros, ideias e ações de acordo com a maneira com que afetam a causa comunista e por sua atitude em relação a ela. Já estive na prisão por causa de minhas ideias e, se necessário, estou pronto para colocar-me diante de um esquadrão de fuzilamento.”

Quanto à devoção e firmeza a uma causa, MacDonald (2009, p.45), escreve que, “se os comunistas conseguem ser tão dedicados assim à sua causa, quanto mais não deveriam os cristãos se derramar em amorosa e alegre devoção por seu glorioso Senhor?”

O que se ressalta nessa carta do jovem comunista é a disposição, fé e paixão pela causa na qual estava envolvido, em contrapartida parece que nem todos os cristãos apresentam a mesma fé, amor e dedicação a causa de Cristo.

Quando lemos os relatos sobre os cristãos da igreja primitiva que, eram decapitados, queimados vivos, perseguidos, mortos ao fio da espada, ou ainda, entregue para serem devorados pelos leões nas arenas, podemos ter uma ideia mais próxima do que significa ser discípulos de Jesus, que não recuam em sua fé, em sua missão e amor para com o Mestre.

Atualmente em muitos países os cristãos têm liberdade para cultuar a Deus, para pregar o evangelho de Cristo. As perseguições que sofrem geralmente ocorrem através de leis que de alguma forma tenta tolher a liberdade de culto, ou ainda, intimidar ou coibir a evangelização dos não alcançados. Entretanto em alguns outros países o evangelho de Jesus não é permitido ser pregado, mas mesmo assim, sob risco de prisão e morte, os cristãos de uma forma ou de outra avançam evangelizando os povos, cumprindo a missão que receberam do Mestre.

Outros desafios que provam os discípulos de Jesus, são as tentações e cobiças do mundo que, insistentemente tentam remover os cristãos da sua fé, santidade, amor e fidelidade ao Criador. Talvez esse desafio, as propostas de um mundo sem Deus, tenha sido o que mais tem tirado os combatentes de Cristo do bom combate, quando os discípulos de Jesus se embaraçam com as coisas terrenas deixando de buscar as celestiais.

As riquezas e prazeres do mundo sem Deus não podem encantar os discípulos de Jesus, triando-os do propósito do Senhor, antes, os alunos de Cristo precisarão escondidos em Deus resistir as propostas e promessas de Satanás, somente assim poderão ser testemunhas poderosas, sendo sal da terra e luz do mundo.

Outra barreira aos discípulos de Jesus que não podemos deixar de considerar é a religiosidade aflorada em muitas denominações que, parece colocar em pé de igualdade com a bíblia seus dogmas e tradições. Quando os ritos são mais valorizados que a vida humana, quando as instituições, ou ainda, os propósitos profanos são colocados acima do reino de Deus, sem dúvidas é um grande problema a ser considerado e que pode trazer prejuízos ao reino de Cristo.

Ponto de Contato >>>

Não somos alunos de qualquer professor, mas do Filho de Deus que não somente nos ensina os princípios para a vida eterna, nos mostrando como fazer e nos ajudando a fazer.

Argumentação >

Acredito que como aprendizes de Jesus, temos a oportunidade e o privilégio de receber o ensino mais precioso que possa existir nesse mundo, bem como o de poder realizar uma obra que supera toda e qualquer expectativa humana, considerando que a fonte é Divina e a recompensa é eterna.

Nenhuma ideologia, nenhuma pessoa, sistema ou filosofia superam os ensinamentos de Jesus, se investigarmos com mais atenção, poderemos constatar que os princípios deixados na palavra de Deus, podendo ser resumida em moral e ética, dão conta do ser humano de modo integral, tanto nos cuidados com a mente, corpo, na relação entre os seres humanos e o Criador, nos relacionamentos interpessoais, sentimentais, familiares e também no modo de conviver em sociedade.

Levando em conta a utilidade e assertividade das orientações da palavra de Deus, a maestria e poder do Professor e Senhor Jesus Cristo, não deveríamos titubear em obedecer às orientações Dele, antes, porém, deveríamos abraçar como verdade absoluta e sem medo, seguir fielmente as suas orientações.

Imagine que além de ser ensinados pelo maior Mestre de todos, ainda nos momentos de provas, onde somos desafiados a mostrar o que de fato aprendemos, somos por Ele ajudados, como um professor que tem alta empatia pelos seus alunos, Jesus não os deixa sós.

Provavelmente o que mais intriga os que escolhem seguir a Jesus é justamente o modo como Ele trata alunos tão indisciplinados, com amor, dedicação, misericórdia, sem desistir de nenhum deles, mesmo quando infelizmente alguns alunos o abandonam, Jesus continua por perto, esperando pacientemente que o aluno indisciplinado volte a classe e para o seu Professor. A ação do Mestre é no mínimo desconcertante para os alunos rebeldes, pois com a ajuda do Espírito Santo, Ele busca a cada aluno desistente, insistindo em que voltem, que tenham fé e bom senso, pois afinal de contas, como disse Pedro (João 6.68), “…para quem iremos nós? Tú tens as palavras da vida eterna.”, ou seja, não existe outro Professou ou Mestre fora Jesus que tenha algo a oferecer como o Filho de Deus nos oferece.

Considero que ser discípulo de Jesus, é ter consigo um tesouro, bem verdade que esse tesouro está guardado em vasos de barro que, são frágeis e que talvez não oferecem a devida proteção a esse tesouro, mas ainda bem que, temos Deus como um guardião e sentinela que não nos perde de vista nem por um minuto, seu olhar e poder cuidador está sempre sobre nós, nos livrando, ajudando e aperfeiçoando, ainda bem por isso!

O fato de sermos discípulos de Jesus não nos torna juízes de ninguém, ou ainda, não nos dá o direito de sermos orgulhosos, precisamos sempre nos lembrar que sem Jesus não temos mérito algum, sem o Filho de Deus nada do que somos ou fazemos seria possível, então, parece ser prudente manter os pensamentos bem arejados e em concordância com a palavra do Senhor.

O Senhor não enviaria seu Único Filho para nos matar, certamente os planos de Deus ao enviar Jesus foi de restabelecer a comunhão entre os seres humanos e Ele, entretanto, nem todos parecem querer tal dádiva, tal graça oferecida pelo Criador, mas aos que aceitaram ser discípulos de Cristo, escolheram a melhor parte, ouviram e aceitaram o chamado para a vida eterna feito por Jesus.

Penso que não podemos trocar o discipulado com Jesus por outra qualquer proposta que nos seja apresentada, precisamos ter a mente de Cristo, discernindo muito bem o que agrada e não agrada a Deus.

Precisamos valorizar Jesus e os seus ensinamentos, entendendo que não temos um plano B, ou outra opção, não temos para onde correr, tudo que existe da parte de Deus para salvar a humanidade está em Jesus Cristo, sendo assim, penso que seguir sendo discípulo do Mestre seja a única forma de agradar ao Senhor.

Podemos considerar que ser discípulo de Jesus, implica em crer em Jesus, confiar em Deus, negar a si mesmos, fazer a missão e se necessário for dar a própria vida por amor a Ele.

 

Para se pensar…

Ao aceitarmos ser discípulos de Jesus, não somente acreditamos em sua palavra, em seu exemplo, mas também em seu poder ajudador que não nos abandona ao longo das nossas vidas. Não temos um Mestre, cujo lema é “faça o que eu mando e não faça o que eu faço”, antes, Jesus nos inspira dando exemplo com a sua santidade e poder, Ele nos chama, nos ensina, nos ajuda a ser e nos envia para gerar outros discípulos.

 Não temos como fingir ser discípulos de Jesus, ou somos ou não somos, considerando que o Mestre sabe de tudo e vê tudo, bem como os frutos, testemunho dos discípulos, são visíveis e de certa forma os denunciam, seja como bons ou maus alunos. Os alunos de Jesus são conhecidos por se parecerem com o seu Professor, mesmo o amedrontado Pedro não passou despercebido aos olhos de um grupo de pessoas (João 18.25).

 A pergunta que fica para nossa reflexão é, considerando o conteúdo abordado   somos ou não somos alunos de Jesus?

 

 

 

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2021 – O Ano do Discipulado
de uma igreja bíblica e relevante

Pastor Ronildo Queiroz
Serviçal da Igreja de Jesus Cristo

 

Referências

Referências

MACDONALD, W. O discipulado verdadeiro. Traduzido: Emirson Justino. 2. ed. – São Paulo: Mundo Cristão, 2009.

PHILLIPS, K.W. A formação de um discípulo. Tradução: Elizabeth Gomes. 2. Ed. ver. e atual. – São Paulo: Editora Vida, 2008.

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