Outubro Rosa e outras questões do feminino

Outubro Rosa e outras questões do feminino

Outubro Rosa, mês de lembrar e destacar a prevenção do câncer de mama. O grande objetivo dessa campanha durante todo o mês de outubro é fornecer informações sobre o câncer de mama, encorajar as mulheres a conhecer bem seus próprios corpos para identificarem o que é ou não é normal em suas mamas e conscientizar quanto a seriedade de realizar o autoexame, assim como os exames de imagem para detectar precocemente a doença. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA) a mortalidade proporcional por câncer em mulheres, no período 2014-2018, demonstra que o câncer de mama ocupa o primeiro lugar no país, representando 16,5% do total de óbitos. Apesar do câncer de mama ser o primeiro câncer com maior incidência no público feminino que leva a óbitos, os dados do INCA apontam que quando descoberto precocemente existem significativos índices de cura. Outro ponto de extrema importância que deve ser levado em consideração é o cuidado com a saúde mental diante de um diagnóstico positivo, pois as questões psíquicas podem influenciar significativamente na forma como o paciente irá vivenciar a doença.

É uma conquista na história das mulheres, políticas públicas que visam a prevenção, encorajamento, conscientização e cuidados com a saúde da mulher, frente a uma doença que infelizmente acomete a tantas. E pensando em um mês em que a saúde da mulher está em foco, é importante também ampliarmos esse cuidado para a saúde mental das mulheres. Além do câncer de mama, os transtornos psíquicos também acometem muitas mulheres, o que gera intenso sofrimento, um exemplo disso é o Transtorno Depressivo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) as mulheres têm duas vezes mais probabilidade de ter depressão do que os homens, assim como, o Transtorno de Ansiedade, que acomete 42% das mulheres, enquanto para os homens, os números caem para quase metade 29%.

Algumas estatísticas como mencionei acima nos faz pensar: por que as mulheres adoecem psiquicamente com mais frequência? A intenção aqui não é dar uma resposta fechada ou concreta, mas poder gerar reflexão, e para iniciar essa reflexão podemos começar pensando qual o lugar que nós mulheres ocupamos hoje?

Não precisamos ir muito longe para observar que houve grandes mudanças na maneira das mulheres vivenciarem sua própria feminilidade, o que antes se restringia apenas aos afazeres domésticos e a maternidade, hoje já não se encaixam mais, as mulheres com muita luta foram construindo e ampliando seu lugar de fala e de pertencimento. Isso não significa que por terem mais liberdade hoje as mulheres não vivenciam angústias e sofrimentos, a construção do que pensamos como ideal se dá na cultura, independente do tempo, claro que em cada período histórico esse ideal vai se modificando. O grande problema é que o ideal não corresponde ao real, e quando se vive para corresponder o tal ideal, não permitimos entrar em contato com quem somos de verdade, com limitações e potencialidades, e abafar isso é sofrimento na certa, que por vezes escapa pela via dos sintomas, dos adoecimentos psíquicos, que também podem se manifestar em doenças psicossomáticas.

A imagem socialmente ideal da mulher contemporânea que nos é apresentada principalmente pela mídia são modelos de mulheres independentes, eficientes, bem-sucedidas profissionalmente, sexualmente resolvidas, lindas e sempre jovens. Além disso, também correspondem aos rótulos de mães sempre disponíveis e atenciosas e esposas amorosas. E baseado em todos esses papéis exigidos, a mulher vai acumulando tarefas, acelerando exigências e cobranças num ciclo sem fim, se mantendo em uma aparência “admiravelmente saudável”. A saída/sem saída acaba sendo o adoecimento, pois não é possível corresponder a todos esses ideais sem falhar, o que gera muita angústia. O conflito é instaurado e a mulher é subjugada a um falso eu, a possibilidade de encontrar autenticidade e criatividade, que leva a uma vida emocionalmente saudável, está no encontro de sua singularidade, legitimidade e na saída do lugar de refém dos ideais impostos pela sociedade, pela mídia, pelo outro.

Portanto, é fundamental se reconhecer em meio a tantos papéis que nos são atribuídos, é preciso compreender que a vida de Jesus nos mostra o quanto ele valorizava a alteridade das pessoas, suas atitudes demonstravam seu interesse nas pessoas descobrirem quem de fato são e isso inclui defeitos e qualidades. Exemplo disso é Pedro, a mulher Samaritana… É necessário se permitir a passar pelas dificuldades sentindo-as, não fugindo das dores, das frustrações e decepções. Exemplo disso encontramos em Jó, Noemi… É parar de buscar perfeição e aprender a lidar com suas limitações e reconhecer quando é o momento de buscar ajuda de um psicólogo(a) para auxiliar nessa jornada de conhecer a si mesmo.

 

#somosumasoicpbb

Crisleine Gama Gonçalves
Psicóloga Clínica
CRP: 06/125301

Volte para a página do CDFP

Menu