Pastoreio #64

PENTECOSTES E A MISSÃO

Nesse pastoreio, que será divido em dois,  iremos abordar o efeito prático da descida do Espírito Santo sobre os discípulos, consequentemente sobre a Igreja de Cristo, Jesus foi claro em sua orientação a seus discípulos – (1) Lucas 24.49 “E eis que, eu envio sobre vós a promessa de meu Pai; mas ficai na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.”

O Mestre Jesus caminhou e conviveu com os seus discípulos, nessa caminhada Ele não somente os instruiu, mostrando como deveriam fazer a missão de Deus, mas foi Ele mesmo o exemplo de santidade, amor, compaixão e humildade.

Os discípulos receberam de Jesus todo o suporte que precisavam, mas ainda precisariam, após a ida de Jesus para o Pai, da presença Divina e das capacitações sobrenaturais, (1) João 14.16 “E eu orarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que Ele possa habitar convosco para sempre.” 

O plano de Deus foi perfeito, tudo em seu devido tempo com funções especificas, o amor de Deus pelos seres humanos é encarnado em Jesus, o Filho por sua vez estabelece o reino de Deus e anuncia as boas novas, escolhe os seus alunos, não somente transmitindo a eles os seus ensinamentos,  mas lhes dando autoridade em seu nome, rogou ao Pai para que o Espírito Santo habitasse em cada um deles e ajudasse a Igreja em todos os aspectos, principalmente  na realização da missão.

Buscando clarear o que ocorreu naquele tempo da festa de judaica, bem como o seu significado,  o escritor Marcelo Magalhães (9, p.28,29) – escreve sobre os simbolismos de Pentecoste no Judaísmo > “[…] a observância de Pentecoste é voltada para convocar e unir o povo de Israel, aqueles que se encontram distante da terra santa (diáspora), a se unirem para a adoração e agradecimento a Deus como um só povo em um só pensamento. Com relação à agricultura, é a festa de ação de graças pela colheita do trigo, simbolizando “uma nova vida”.”  Pentecoste no Cristianismo > “o pentecoste cristão é a lembrança e comemoração da descida do Espírito Santo sobre a Igreja primitiva (At. 2), que aconteceu no dia do festival judaico como sinal da presença de Cristo, Seu poder e Sua glória. Desta forma, cumpriu-se assim a profecia de Joel 2.28-30 com o dom de línguas repartido entre os cristãos, a pregação com o falar extático de Pedro e a grande conversão de pessoas, que são as primeiras primícias para Deus, marcando assim o início da “era da Igreja”.

Após ressuscitar Jesus aparece a algumas pessoas, depois aparece aos onze discípulos e lhes informa mais uma vez sobre a missão, (1) Marcos 16.15 “E ele disse-lhes: Indo por todo mundo, pregai o evangelho a toda criatura.”

Eles receberiam poder com a descida do Espírito Santo (Atos 2), mas antes mesmo de receberem a presença do Consolador, eles já haviam sido devidamente informados sobre a missão, a morte de Jesus na cruz não havia sido em vão, sem propósito, pelo contrário – a partir desse momento a terra seria impactada pela pregação do amor de Deus, pela vida eterna oferecida graciosamente pelo Criador através da fé em Jesus.

Segundo Barrientos (6, p.103), “esta missão é tão importante que se a Igreja se calar até as pedras poderão falar (Lc.19.40). E é tão importante que deve ser levada até os confins da terra, mesmo às custas da própria vida dos fiéis (Lc. 12.04; At. 4.01-31, At. 8.01-04).”

O Espírito Santo em Atos 2, passou a habitar nos crentes, eles não somente criam em Jesus, haviam recebido do Mestre a missão, e agora estavam sendo capacitados com poder pelo Espírito Santo, ou seja, não existe a menor possibilidade dessa missão dar errado. O Pai amou a sua criação com amor indescritível, enviou o seu único Filho que é o exemplo vivo da vontade de Deus para com os seres humanos, ensinou os princípios da palavra para que todos soubessem como deveriam ser e fazer,  por sua vez o Espírito atua não somente na vida dos crentes, mas fora deles de modo a testificar com poder sobrenatural a ação do Criador e o chamamento dos povos à salvação.  

 O Espírito Santo não somente habita nos crentes, mas muda os comportamentos:

 

Gálatas 5

22 “Mas o fruto do Espírito é: Amor, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fé,

23 brandura, temperança; contra essas coisas não há lei.

24 Pois aqueles que são de Cristo já crucificaram a carne com as paixões e concupiscências.

25 Se vivemos pelo Espírito, andemos também no Espírito.

 

A atuação do Espírito Santo é extremamente importante nas vidas dos crentes, pois os ajuda a serem novas criaturas em Cristo o que contribui com a pregação das boas novas, ou seja, através dos seus testemunhos de conversão ao Senhor outros poderão crer.

O escritor e missionário Ronaldo Lidório (2, p.140), ressalta que “antes de ser chamada para anunciar o evangelho de Deus, a igreja foi revestida de autoridade para ser santa, ser fiel e viver toda a plenitude do evangelho.”

O acontecimento nos dias de Pentecostes, a descida e a ação do Espírito Santo (At. 2), para alguns cristãos, pode parecer que fica restringida as percepções sensoriais do corpo físico, ou ainda, a um ou outro mover somente durante um culto, ou ainda,  em meio a alguns cânticos, entretanto veremos que a ação do Espírito sobre a Igreja vai muito além do templo ou da celebração.  

O Espírito Santo capacita os crentes com os dons/ministérios  (1 Co.12), ajudando-os em suas fraquezas (Rm.8.26), intercedendo por nós (Rm.8.26), mesmo em suas fragilidades o Consolador não os despreza ou desampara, antes, os ajuda suplicando de modo como as vezes não conseguem fazer perante Deus. É Ele quem convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo. 16.08), o Espírito Santo também é nosso Professor e Conselheiro (Jo.14.26).

Em resumo, através do sacrifício de Jesus na cruz, do evangelho de Cristo, e do Consolador que, segundo R.N. Champlin, significa “alguém chamado para o lado de outrem, a fim de ajudar”, não tem como alguém ou algo parar a Igreja de Jesus, talvez nós tenhamos caído em um comodismo e de certo modo nos esquecido de quem nos chamou, bem como o que Ele pode fazer, sigamos cheios do Espírito cumprindo a missão.

A ajuda do Espírito Santo é extremamente importante na vida do crente para a realização da missão de Deus, isso também inclui mudança de mente, nova vida em Jesus, Barrientos (6, p.53) escreve que, “a primeira tarefa do pastor é viver Jesus na presença de seus irmãos. O ensinamento que proclama se torna mais importante através da maneira como o vive, do que pelo que fala com sua boca. Por isso, a base do trabalho pastoral não está primeiramente em uma boa capacidade oratória ou organizativa, mas em uma vivência de Jesus.” 1 Coríntios 11.01 Sede meus seguidores, como também eu sou de Cristo. (BKJ)

  

Recorte >>> Cheios do Espírito Santo para realizar a missão.

 

Penso que como Igreja precisamos nos perguntar por que Deus nos deu dons, ministérios, nos abriu portas em muitos lugares, seja com um menor ou maior número de pessoas. Compreendo que a nossa vida cristã, nossa formação acadêmica e profissional não são por acaso, o Senhor tem propósitos conosco no cumprimento da missão.

A certo tempo atrás eu ouvia alguns crentes que costumavam falar assim,  a minha vida “secular” é uma coisa, e a minha vida “cristã” (religiosa) é outra, entretanto penso que não tem como dissociarmos a nossa vida cotidiana da cristã,  como se em cada função fossemos uma pessoa diferente, somos uma só pessoa, cristãos com habilidades profissionais, funções, posições sociais e eclesiásticas,  seja durante a semana ou no final de semana fazemos parte do reino e precisamos ser portadores das boas novas de Cristo,  interagindo com e no mundo.

Através da fé em Jesus Cristo, passamos a ter o Espírito Santo em nossas vidas, também recebemos incumbências na Missão, Ronaldo Lidório (2, p.67) escreve que “ segundo John Knox, a essência da função do Espírito Santo é estar ao lado da igreja de Cristo, fazê-la possuir a face de Cristo e espalhar o nome dele.”

Com a descida do Espírito Santo sobre os crentes, não somente Ele habita neles, mas os prepara de modo poderoso para realizarem a missão. O autor John Stott (7, p.63), escreve que “assim como o Espírito desceu sobre Jesus quando João o batizou, para que iniciasse o seu ministério “cheio” do Espírito Santo, “guiado pelo Espírito”, “no poder do Espírito” e “ungido” pelo Espírito (Lc. 3.21-22; 4.01,14,18), ele também viria agora sobre os discípulos de Jesus para equipá-los para a missão mundial (At. 1.05,08, 2.33).”

No livro de Atos dos apóstolos podemos constatar como a Igreja de Jesus, cheia do Espírito Santo realizou a missão com feitos poderosos, alcançando muitas pessoas pela pregação do evangelho e feitos extraordinários.

Desde a época de Jesus até os dias atuais o Espírito Santo não deixou de atuar, o evangelho não deixou de ser pregado pela Igreja e com efeito muitas nações, inclusive algumas resistentes a pregação do evangelho foram alcançadas.

Segundo Ronaldo Lidório (2, p.65), “se olharmos o panorama mundial da igreja evangélica, perceberemos que o crescimento evangélico foi de 1,5% maior que o do Islã na última década. O evangelho já alcançou 22 mil povos nos últimos dois milênios. Hoje, temos a Bíblia traduzida em mais de 2.000 idiomas. As grandes nações que resistiam ao evangelho estão sendo fortemente atingidas pela Palavra, como é o caso da Índia, China e Filipinas, que em breve deverão hospedar a maior igreja nacional sobre a terra. Alguns movimentos missionários locais têm plantado dezenas de milhares de igrejas-lares na Índia, Nigéria e Filipinas, outrora, bastante fechadas ao evangelho.”

A Igreja de Jesus tem em seu DNA o ajuntamento nas casas dos que creem no Senhor, penso que a igreja no Brasil cometeu um equívoco quando, ao crescer numericamente, tendo sido as denominações instituídas, imóveis alugados, comprados ou construídos para servir de templo que acolhe o povo, acabou deixando ou diminuindo a ênfase dos cultos nos lares. Parece que esse crescimento numérico e a organização institucional, provavelmente acabou desmotivando ou deixando de incentivar os cultos nas casas ou lares, seja para edificação da própria família que já creem em Cristo, ou ainda, para servir como casa de proclamação do evangelho de Jesus aos vizinhos e todas as pessoas que se achegarem a casa para ouvirem a pregação da palavra de Deus.

Penso que não podemos deixar de investigar na bíblia qual o objetivo da ação do Espírito Santo em nossas vidas, Ele nos ajuda a ser pessoas segundo o exemplo de Cristo Jesus, nos capacita com dons e ministérios, com tudo isso Ele nos impele a realizar a missão – o ide de Jesus – como evangelizadores, ou ainda, como aqueles que lançam a semente crendo que ela frutificará nas pessoas, e por fim, gerando conversão a Cristo.
Reforçando esse pensamento, o autor Marcelo Magalhães
( 9, p.31) , escreve que “um dos simbolismos mais impressionantes acerca do Pentecoste é a quebra de barreiras territoriais, de raças, preconceitos e discriminação enfocando a união de diferentes pessoas de diferentes nacionalidades, línguas, usos e costumes, é a unidade na universalidade, a total união num só corpo “o de Cristo”. A Igreja, portanto, é a verdadeira comunidade espiritual.”

  

A ação do Espírito Santo impulsionando os cristãos a realizarem a missão dada por Jesus.

 

 Muitos homens tementes a Deus foram usados como instrumentos poderosos nas mãos do Espírito Santo, na pregação do evangelho, no ensino bíblico, na evangelização, na realização de milagres e ações miraculosas.

Citarei a seguir alguns homens usados por Deus, segundo a escrita de Orlando Boyer (8), no livro Heróis da Fé, da editora CPAD do ano de 1985.

  

  • Jerônimo Savonarola – precursor da Grande Reforma (1452-1498) –(8, p.15, 19) – “o pregador, Jerônimo Savonarola, abrasado com o fogo do Espírito Santo e sentindo a iminência do julgamento de Deus, trovejava contra o vício, o crime e a corrupção desenfreada na própria igreja.” Morte: “no ano de 1498, por ordem do Papa, foi queimado em praça pública.”
  • Martinho Lutero – o grande reformador (1483 -1546) – (8, p.21,31,32,38,39) – “Lutero levou o povo a considerar a verdadeira religião, não como uma mera profissão, ou um sistema de doutrinas, mas como vida em Deus.” “Em outubro de 1517, Lutero afixou à porta da Igreja do Castelo em Wittenberg, as suas 95 teses, o teor das quais é que Cristo requer o arrependimento e a tristeza pelo pecado e não a penitência.” “[…] na História da Igreja Cristã, por Souer, Vol.3, pág. 406: “Martinho Lutero profetizava, evangelizava, falava línguas e interpretava; revestido de todos os dons do Espírito.” Morte: “Então, depois de recitar João 3.16 três vezes, repetiu as palavras: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito, pois tu me resgataste, Deus fiel.” Assim fechou os olhos e adormeceu.”
  • Jônatas Edwards – Grande despertador (1703-1758) – (8, p.51,54,55,58). Pregador do famoso sermão, “pecadores nas mãos de um Deus irado” e dos ouvintes que se agarravam aos bancos pensando que iam cair no fogo eterno.” Sendo apenas um dos vários fatos que ocorreram durante as pregações de Edwards, quando o Espírito Santo levava os ouvintes a contemplarem a glória de Deus e a temerem o castigo eterno. Edwards não só tinha o hábito de orar a Deus cinco vezes ao dia, mas também se deliciava na leitura bíblica, além de relatar sentir íntima comunhão com o seu Criador. Certo biógrafo escreveu que Edwards tinha o “costume de dedicar certos dias para jejuar, orar e examinar-se a si mesmo.” “Edwards costumava passar treze horas, todos os dias, estudando e orando, […] depois da última refeição, ele deixava toda a lida, a fim de passar uma hora com a família.” Morte: “No meio de suas lutas, sem ninguém esperar, a vida de Jônatas Edwards foi tirada da Terra. Apareceu a varíola em Princeton e um hábil médico foi chamado de Filadélfia para inocular os estudantes. O nosso pregador e duas de suas filhas foram também vacinados. Na febre que resultou, as forças de nosso herói diminuíram gradualmente até que, um mês depois faleceu.”
  • João Wesley – tocha tirada do fogo (1703-1791) – (8, p. 59,60,68,69,72) Houve um incêndio na casa da família de João Wesley, os seus vizinhos se uniram e o resgataram, logo após tirarem João da casa em chamas o teto desabou. Ele foi um pastor que pregou a palavra de Deus exaustivamente, “um pastor prega, em média, 100 vezes por ano, mas João Wesley pregou cerca de 780 vezes por ano, durante 54 anos.” “Multidões de perdidos, assim tornavam-se novas criaturas em Cristo Jesus, nos cultos de João Wesley. Muitas vezes os ouvintes eram levados às alturas de amor, gozo e admiração; recebiam também visões da perfeição divina e das excelências de Cristo, até ficarem algumas horas como mortos. (ver Apocalipse 1.17)” “João Wesley não somente pregava mais que os outros pregadores, mas os excedia como pastor, exortando e confortando os crentes, e visitando de casa em casa.” Morte: “Em 2 de março de 1791, com a idade de quase 88 anos, completou a sua carreira terrestre. “[…] então, levantando a mão, como se fosse o sinal da vitória, novamente repetiu: “O melhor de tudo é que Deus está conosco.” “Às 10 horas da manhã, enquanto os crentes rodeavam o leito, em oração, ele disse “Adeus!”, e assim passou para a presença do Senhor.”
  • Jorge Whitefield – Pregador ao ar livre (1714-1770) – (8, p. 73,74,75,76,78,79,83) – “Mais de 100 mil homens e mulheres rodeavam o pregador, […] em Cambuslang, Escócia. As palavras do sermão, vivificados pelo Espírito Santo, ouviam-se distintamente em todas as partes que formavam esse mar humano.” Conta-se que em uma multidão como essa, aproximadamente 10 mil pessoas se entregavam a Jesus. Apesar de Whitefield ser de “fraco físico e de sofrer dos pulmões, […] pregava ao ar livre, porque pregava em média dez vezes por semana, e isso fez durante um período de trinta e quatro anos, em grande parte sob o teto construído por Deus – os céus.” “Jorge tinha no coração um plano que consistia em pregar cem sermões e apresentar-se para ser separado para o ministério. Porém quando havia preparado apenas um sermão, seu zelo era tanto, que a igreja insistia em ordená-lo, tendo apenas vinte e um anos apesar de ser regra não aceitar ninguém para tal cargo, com menos de 23 anos.” Whitefield costumava repetir as “palavras do Dr. Delaney, – Desejo, todas as vezes que subir ao púlpito, considerar essa oportunidade como a última que me é dada de pregar, e a ultima dada ao povo de ouvir.” Jorge costumava dividir seu dia da seguinte forma, “oito horas sozinho com Deus e em estudos, oito horas para dormir e as refeições, oito horas para o trabalho entre o povo. De joelhos, lia, e orava sobre as leituras das Escrituras e recebia luz, vida e poder.” Jorge Whitefield também lutou contra pensamentos e desejos que tentavam o afastar para longe da vontade do Senhor, “suplicando para ser liberto dos pensamentos diabólicos, […] interesse próprio, rebelião, orgulho e inveja, […] lutei até Deus me conceder vitória sobre eles.”  Morte: “Às duas horas da madrugada acordou. Faltava-lhe o fôlego e pronunciou para o seu companheiro as últimas palavras da Terra: “Estou morrendo.” “Se quisermos os mesmos frutos de ver milhares salvos, como Jorge Whitefield os teve, temos de seguir o seu exemplo de oração e dedicação.”

 

As citações acima sobre alguns homens usados por Deus tem como objetivo chamar a nossa atenção para um despertamento espiritual, para compreendermos que ter o Espírito Santo e receber os dons que Ele quiser nos dar, implica em uma responsabilidade perante Deus, a realização da missão, pregar o evangelho de Cristo a todas as pessoas para que sejam salvas pelo favor dado por Deus que não mereciam.

O Pentecostes deveria ser visto por nós cristãos como um evento em que a Igreja de Jesus recebe Um Ajudador, Consolador, Fortalecedor que não somente caminha com a Igreja, mas que a impele a realizar a missão, nessa tarefa, tanto na pregação do evangelho, tanto realizando curas, milagres e ações miraculosas em nome de Jesus, possuem em seu fim o mesmo objetivo, proclamar a Cristo e através Dele salvar os seres humanos.

As línguas faladas e entendidas (Atos 2) não somente foram uma dotação sobrenatural do Espírito Santo, mas de imediato já estavam engajados na missão chamando a atenção dos diferentes povos que ali se encontravam (Atos 2.08-12), era Cristo alcançando de modo poderoso não somente os judeus, mas os gentios.

Para Marcelo Magalhães (9, p.30,31), “o Pentecoste significa também a própria presença de Cristo sobre a Igreja, de forma contínua, consolando-a e guardando-a, através do Espírito Santo, em cumprimento de Sua promessa (Lc. 24.48-49; At. 1.08) de que iria para o Pai, mas enviaria o Consolador (Jo. 15.26 e 16.13).”

 

 Ponto de contato >>>

 

  • O Espírito Santo não veio para nos envaidecer, mas para nos fortalecer e ajudar na realização da missão.

 

Argumentação >   

  

Penso que talvez precisamos ser mais treinados e treinar mais a outros  para realizarmos a missão, provavelmente alguns de nós ao sentirmos as “águas nos tornozelos” já nos alegramos e de certo modo nos acomodamos, ou seja, não “mergulhamos todo o corpo nas águas” do Espírito, pode ser que  ainda nos falte um entendimento mais aguçado  e um  comprometimento maior com a missão. O Espírito Santo usou homens e mulheres de modo poderoso, podemos ler a história de alguns deles, como eles se entregaram sem reservas ao evangelho de Cristo, sendo conduzidos pelo amor e poder de Deus.  

O comprometimento com a missão dada por Jesus pode ser entendido como – “vão, falem do evangelho por onde passarem, orem, ensinem, testemunhem com as suas próprias vidas do poder transformador do evangelho, acompanhem as pessoas até que elas compreendam qual a vontade de Deus para as suas vidas, e assim, possam também ensinar a outros”.

Acho ser importante rever o que estamos pedindo ao Espírito Santo, investigando as nossas intenções, para saber se de fato o objetivo final é a realização da missão dada por Jesus, ou então, por mera vaidade pessoal ou movimentos que levam a alguns de um lado para o outro.

Certa vez eu fui em um monte (ainda que podemos orar em qualquer lugar) para orar a Deus e tinha um jovem que fazia parte do nosso grupo de oração, ele pedia em sua oração insistentemente que o Senhor lhe desse um dom, quando recebeu uma mensagem do Espírito Santo – especifica para uma das pessoas que estava conosco naquele dia –  esse jovem  não conseguiu reportar para a pessoa a mensagem que havia recebido do Espírito Santo. Nesse momento o Senhor fez com que outra pessoa do grupo recebesse a mesma mensagem para ser entregue a mesma pessoa, quando isso ocorreu, o jovem que não havia entregue a mensagem caiu em prantos,  dizendo que havia recebido aquela mesma mensagem para a mesma pessoa, esse jovem lamentava por não ter crido no que o Espírito Santo havia falado para ele.

A razão de escrever essa experiência aqui é para reforçar que o Espírito Santo atua nos capacitando de modo sobrenatural com o objetivo de comunicar, consolar, fortalecer, capacitar os crentes para a realização da missão de Deus – seja na pregação do evangelho, seja comunicando-se com pessoas – de modo a testemunhar da ação poderosa do Senhor junto a outros, bem como tantos outros feitos poderosos que falam do amor, da grandeza e do poder do Senhor.

Como crentes em Jesus precisamos ter claro que o Espírito Santo nos usará com o seu poder, não para nos acharmos “poderosos”, não para nos envaidecermos, mas sempre para glorificar ao Senhor, testemunhando de Cristo e do reino de Deus.

   

Para se pensar…

  

Acredito que nós cristãos, precisamos  viver mais a fé que professamos, por algum tempo me parece que alguns segmentos cristãos ficaram mais preocupados em discutir suas “regras”, “dogmas” e/ou  “modos” de ser da religião, penso que ficaram mais voltados para dentro dos templos,  não se atentando para o ide de Jesus de um modo mais amplo (fora dos templos), a exemplo de João  Wesley, deveríamos ter o mundo como  “a nossa paróquia”, ou seja, o campo de trabalho aonde a missão ocorre, tanto  na pregação do evangelho e no cuidado com as pessoas por amor a Cristo, não se limitando a nossa comunidade de fé, mas sendo “sal da terra e luz do mundo” em todos os lugares.

 

Penso que nós cristãos pentecostais, sem querer segregar ou autovalorizar o nosso segmento, temos tudo para avançar mundo afora, semeando o evangelho de Jesus para toda e qualquer pessoa. Nós cremos nas ações sobrenaturais do Criador e na minha opinião nos últimos anos temos tido um despertamento maior e mais apurado para a adequada interpretação e pregação da palavra de Deus. Precisamos nos dar conta da arma poderosa que somos nas mãos do Senhor e com isso avançar em todas as áreas e segmentos do mundo, pregando o evangelho e testemunhando do poder de Deus com as nossas vidas.

 

 

Continuaremos no próximo pastoreio com: Pentecostes e a Missão (parte II).

 

 

2020 – O Ano da Evangelização
de uma igreja bíblica e relevante

Pastor Ronildo Queiroz
Serviçal da Igreja de Jesus Cristo

 

  1. Bíblia King James BKJ – Fiel – bvbooks, LifeWay, 2015.
  2. Sal & Luz: compreendendo, vivendo e praticando a missão. Ronaldo Lidório – Editora Betânia
  3. Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamento. F.F. Bruce – Ed. Vida.
  4. Atos: introdução e comentário – I. Howard Marshall. Série Cultura Bíblica – Editora Vida Nova, 2011.
  5. Atos – a ação do Espírito Santo na vida da igreja – Hernandes Dias Lopes, Editora Hagnos, 2012.
  6. Trabalho Pastoral – princípios e alternativas – Alberto Barrientos, Editora Cristã Unida Associação Evangélica Menonita, 1991.
  7. A mensagem de Atos: até os confins da terra. John Stott. ABU Editora, 2008.
  8. Heróis da Fé: vinte homens extraordinários que incendiaram o mundo. Orlando Boyer. CPAD, 1985.
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